Dia a dia

Parceria privada poderá revitalizar Santa Casa de Misericórdia

Em nota, a Prefeitura de Manaus explicou que não quer administrar a Santa Casa porque nenhum investimento feito no local será revestido para o município - foto: Diego Janatã

Em nota, a Prefeitura de Manaus explicou que não quer administrar a Santa Casa porque nenhum investimento feito no local será revestido para o município – foto: Diego Janatã

Uma nova alternativa para restaurar e colocar em funcionamento a Santa Casa de Misericórdia foi discutida entre o prefeito de Manaus, Arthur Neto, o vereador Mário Frota (PHS) e o representante do Instituto de Gestão e Humanização (IGH), Giovawni Lemos, na terça-feira (9). Conforme Lemos, a ideia é trazer a responsabilidade da recuperação e ampliação do prédio da Santa Casa para o IGH.

O instituto ficaria responsável pela modernização dos equipamentos e a ampliação de profissionais qualificados. “O acordo prevê uma parceria com o município por intermédio de um contrato dando amplos poderes para administrar essa unidade de saúde durante 25 anos. Depois disso, a Santa Casa passa a ser gerida pela prefeitura”, esclareceu.

Lemos explicou que o IGH existe dede 2010 e que possui mais de vinte contratos firmados e mais de 40 unidades geridas pelo instituto em três Estados, sendo Bahia, Goiás e Rio de Janeiro. Só no ano passado foram firmados contratos com o serviço de enfermagem na Emergência de Queimados do Hospital Geral do Estado (HGE), serviço de nefrologia do Hospital Geral Roberto Santos, serviço de bioimagem do HGE, serviço de enfermagem na Emergência do Hospital Geral de Vitória da Conquista, UPA Roberto Santos e UPA Camaçari.

Além desses contratos, o IGH também passou a fazer o gerenciamento clínico dos Pronto Atendimentos (PA) Rodrigo Argolo, Hélio Machado, PA Psiquiátrico e Samu, todos na Bahia. “O IGH nasceu a partir da percepção de profissionais especializados, com o objetivo de utilizar práticas de gestões modernas capazes de maximizar os resultados de unidades prestadoras por meio de um atendimento humanizado que priorizasse o bem-estar do beneficiário”, disse.

O vereador Mário Frota diz que ainda é preciso falar mais sobre o assunto, mas tem boas expectativas para que o projeto saia do papel e mude a atual realidade do prédio da Santa Casa. “Pior é ficar como está. A Santa Casa virou só escombros, o que está de pé são só as paredes, o telhado já ruiu todo. O juiz César Luiz Bandiera mandou que a prefeitura revitalizasse tudo, mas acho que o caminho não é a prefeitura e sim o governo, que já alegou em outra oportunidade não poder fazer muita coisa por este momento de crise financeira”, comentou.

Mário Frota destacou que vem trabalhado há quase 8 anos para não deixar a Santa Casa morrer, literalmente. E que vai continuar as discussões até que se chegue à melhor forma de parceria. “Se chegarmos a um acordo, vamos fazer a imediata desapropriação do prédio, que é de interesse público, para o início das obras de revitalização e ampliação de uma nova Santa Casa. Essa parceria com o IGH chegou em boa hora, e a revitalização da Santa Casa deve resgatar parte da história do Amazonas, que estava sendo desconstruída pela incapacidade dos governadores que passaram ao longo desses últimos 10 anos”, disse.

Procurado pela reportagem, o membro da Comissão Administrativa Provisória da Santa Casa, Thiago Queiroz de Oliveira, disse que não poderia opinar sobre o projeto do IGH porque não tinha conhecimento do que o instituto estava oferecendo como proposta para a revitalização do prédio da Santa Casa. Ele disse ainda que não chegou a ser convidado para a reunião que aconteceu no dia 8.

Em nota, a Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) informou que independente de articulações políticas, a Prefeitura de Manaus já recorreu, via Procuradoria Geral do Município (PGM), da última decisão judicial que a obrigaria a reformar o imóvel pelos seguintes motivos. A Santa Casa é um patrimônio privado e qualquer investimento que a prefeitura faça para restaurar o imóvel não será revestido para o município, com o agravante de que, por se tratar de um bem histórico, o custo do restauro seria mais elevado até que o valor conseguido com um possível leilão do prédio.

A Prefeitura de Manaus reitera o compromisso assumido pelo prefeito, em requalificar o centro histórico da capital, mas neste momento de crise econômica não se pode assumir a responsabilidade por um bem que não é de atribuição do município. Todas as ações para recuperação da identidade histórica do centro de Manaus são voltadas aos espaços administrados pelo Executivo municipal.

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