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Paratleta medalhista no Pan faz jogo em Manaus

Aos 21 anos, a tenista paralímpica, Natália Mayara, voltou da competição mais importante das Américas com duas medalhas de ouro - foto: Diego Janatã

Aos 21 anos, a tenista paralímpica, Natália Mayara, voltou da competição mais importante das Américas com duas medalhas de ouro – foto: Diego Janatã

Há 4 anos, ela saiu de quadra chorando após ter sido eliminada no torneio de tênis dos Jogos Pan-Americanos realizados em Guadalajara, México, por 2 sets a 0 com parciais de 6 a 1 e 6 a 0. Porém, em 2015, no Pan realizado em Toronto, Canadá, ela saiu novamente chorando, mas, desta vez, o sentimento era outro: alegria.

Aos 21 anos, a tenista paralímpica, Natália Mayara, voltou da competição mais importante das Américas com duas medalhas de ouro no peito. Ela foi campeã individual e em duplas com a parceira Rejane Silva. Nesta quinta-feira (3), as parceiras fazem uma exibição na quadra do complexo da Academia de Tênis, localizada na Ponta Negra, Zona Oeste da cidade. A iniciativa tem como objetivo alavancar e divulgar a modalidade no Amazonas.

Natália deu seus primeiros saques aos 12 anos. Tudo começou em Brasília (DF), cidade onde a pernambucana realizou tratamento para o grave acidente sofrido aos 2 anos, que obrigou que parte de suas pernas fossem amputadas. Apesar da dificuldade, a jovem aceitou o convite de praticar um esporte olímpico, a natação, mas percebeu logo depois que seu futuro era nas quadras.

“Fui para Brasília para fazer o meu tratamento. Aos 12 anos conheci a natação. Uma pessoa me perguntou se conhecia o esporte paraolímpico. Fiquei curiosa e meus pais também. Nesse período, conheci o tênis também, porque os esportes eram praticados em locais próximos. Ainda disputei um mundial de natação, mas me apaixonei pelo tênis.

Tinha que escolher um dos dois, porque estudava, treinava e competia. Escolhi o que mais me dava prazer”, explicou a atleta, que para conquistar as medalhas no Pan, teve que modificar sua rotina de vida para focar no esporte.

“Passei a focar 2 anos antes do Pan. Tranquei a faculdade, passei a me dedicar 100 por cento ao tênis, botei como prioridade e me dediquei o máximo que podia. No Pan, foi outra preparação. Tive que focar a cabeça e controlar o nervosismo. A preparação foi geral. Tem a parte física, psicológica e técnica. Isso vai sendo construído com o passar dos anos. No meu caso, 9 anos. Fui para o Pan com a expectativa grande, mas muito nervosa, porque a menina que me tirou no penúltimo Pan estava lá. Sabia que seria difícil. Fiquei bem nervosa, mas quando passei por ela, fiquei bem relaxada, tanto que ganhei a final em dois sets. Isso foi a concretização de um sonho e o reconhecimento do trabalho feito por todos os membros da equipe”, explica Natália.

Como a grande maioria dos esportistas brasileiros, a medalhista pan-americana afirma que encontra dificuldades para conseguir patrocinadores. Segundo Natália, o grande problema é a pouca visibilidade que os esportes paralímpicos têm no país.

“Se para o Olímpico já é complicado, imagine para o Paralímpico. Acho que o maior problema no esporte é a falta de divulgação, porque é isso que fará as pessoas gostarem do esporte e as empresas buscarem expor suas marcas. É complicado. Temos o apoio da CBT (Confederação Brasileira de Tênis, que pagam as viagens e despesas, e o bolsa atleta do governo federal. Fora isso, não temos apoio”, finalizou a número 18 no ranking mundial.

Por Thiago Fernando

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