Esportes

Paratleta amazonense treina para participar da segunda edição da ‘Insanus Race’

Otimista e corajoso, catalisou todas as adversidades e as transformou em superação, tendo no esporte sua principal ferramenta na busca para ultrapassar seus limites - foto: Evilázio Portela

Otimista e corajoso, catalisou todas as adversidades e as transformou em superação, tendo no esporte sua principal ferramenta na busca para ultrapassar seus limites – foto: Evilázio Portela

As dificuldades sempre existiram na vida do paratleta Jayme David, que nasceu com escoliose mielomeningocele (desvio na coluna). Não por isso ele se fez de coitadinho ou se revoltou contra o mundo. Pelo contrário. Otimista e corajoso, catalisou todas as adversidades e as transformou em superação, tendo no esporte sua principal ferramenta na busca para ultrapassar seus limites.

A trajetória de Jayme no desporto começou a ser escrita em 2012, quando disputou a Corrida da Infantaria. Incentivado por um treinador que o convidou para ser o primeiro paratleta de sua equipe, ele não hesitou em aceitar a proposta. Sem perder tempo, tratou de comprar uma cadeira de rodas que lhe desse a possibilidade de disputar aquela prova, que foi disputada na ponte Rio Negro.

“Comprei a (cadeira) de basquete, que era a mais acessível e que era a que eu poderia fazer negócio mais rápido. Quando ela chegou em Manaus, eu só tinha uma semana de treino para me adaptar, como a sentada, a tocada para correr um pouco mais, e só faltava uma semana para minha primeira corrida. Já encarei meus primeiros 5 quilômetros lá na ponte”, recorda Jayme.

E logo na sua primeira prova, o paratleta deu a primeira demonstração de superação. Com apenas dois cadeirantes inscritos, a organização da corrida não soube lidar da melhor forma com os portadores de necessidades especiais, até pelo ineditismo do fato. Jayme acabou largando junto com os atletas das demais categorias, o que causou um grande tumulto logo na largada.

“Eles não sabiam como fariam a largada cadeirante. Não era cadeira especial para corrida também, aí na largada foi todo mundo junto. Como não tinha velocidade e nem resistência, muito menos experiência na época, a galera me atropelou, me jogaram no chão, alguns passaram por cima, porque tem o pessoal da elite, que não vão parar para ajudar e nem podem”, conta o paratleta.

Apesar de algumas escoriações, Jayme não quis saber de abandonar a prova. Com a ajuda de alguns espectadores, ele voltou para a corrida, e com o tempo de 39 minutos e três segundos chegou até a linha de chegada. “Pegar na primeira corrida aquela subida da ponte não é fácil, mas aí foi minha primeira vitória. Vitória não é ganhar a corrida, mas conseguir concluir depois de tudo aquilo que eu passei”, aponta.

Por André Tobias

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