Dia a dia

Paralisações frequentes no transporte coletivo em Manaus atraem a ira da população

Quem sofre as consequências das greves e paralisações é a população – fotos: Daniel Landazuri e Michael Dantas 

Manaus é capital brasileira que mais sofre com greves no transporte coletivo. Só este ano foram 43 paralisações, contando com a que ocorreu nesta segunda-feira (26), que prejudicou mais 500 mil usuários. A família Oliveira está no comando do sindicato há 12 anos, com destaque para os irmãos Givancir e Josildo, que recentemente foram reeleitos para mais um mandato de quatro anos à frente do sindicato.

Nessa queda de braço entre o Sindicato dos Rodoviários com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), que se arrasta há anos, a população, que depende do transporte coletivo, fica a mercê de decisões que muitas vezes passam por cima das leis.

Segundo o Sinetram, as empresas desconhecem as razões das paralisações, uma vez que os salários dos rodoviários não estão atrasados. Em todos os anúncios de greves e paralisações, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) proíbe, por meio de liminar, que as greves ocorram. Entretanto, na maioria das vezes, as decisões judiciais não são respeitadas.

Todas as vezes que o Sindicato dos Rodoviários promove a greve, há o questionamento por parte da população sobre a liberação das catracas.

“Se a intenção é protestar contra as empresas, por que não liberar as catracas? Por que impedir o direito do cidadão de ir vir? Bastava um dia com a catraca liberada para os empresários sentirem no bolso e chegarem a um acordo. Os rodoviários impedem que os ônibus saiam das garagens e prejudicam a população, que sofre com ônibus velhos, mal conservados, lotados, além de pagar umas das tarifas mais caras do País”, diz a dona de casa Marina Ferreira.

Indefinição 

A população reclama e diz que não sabe para quem recorrer. “Não sabemos mais o que fazer para essa novela que não tem fim. Sempre quem sai prejudicada é a população. Pagamos nossos impostos, pagamos a passagem que é muito cara e quando precisamos usar o transporte público não podemos pois rodoviários estão em greve. Acredito que todos tem o direito de reivindicar seus direitos, porém isso não pode atrapalhar o direito de ir vir dos outros cidadãos”, disse indignada a doméstica, Maria Helena, de 43 anos.

Outra que está insatisfeita com as frequentes paralisações é a dona de casa Maria de Fátima, de 44 anos, que precisou pegar um alternativo para não chegar atrasada na consulta médica.

“Já sofremos dificuldades em marcar uma consulta pelo SUS e, quando finalmente conseguimos, sofremos com esse problema do transporte. Tive que pagar R$ 4 para não chegar atrasada na minha consulta com o cardiologista”, contou a dona de casa Maria de Fátima, de 44 anos.

Muita vezes a população é surpreendida pelas paralisações

Questionado se tomaria alguma providência em relação as paralisações, o Ministério Público do Estado (MPE), informou que quem está tratando do assunto é o TRT e não quis entrar no mérito da questão. O assunto, porém, é controverso. Para o professor universitário e cientista político Helso Ribeiro, o MPE não só pode, como deve interferir na situação das paralisações.

“O principal papel do Ministério Público é garantir os direitos constitucionais da população, e o direito de ir e vir está claramente sendo prejudicado por causa das paralisações”, destacou o professor.

A reportagem procurou a Prefeitura de Manaus para saber sobre as providências que estão sendo tomadas para acabar com as frequentes paralisações dos rodoviários, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.

Sinetram

O presidente do Sinetram, Carmine Furletti, informou que as empresas estão horando os compromissos com os colaboradores. “Não vemos motivos para mais uma greve, em que o principal prejudicado é a população. Já tivemos várias reuniões para negociar com a categoria, fizemos uma proposta e eles ficaram de analisar. Estranhamos quando anunciaram a greve, mas continuamos abertos ao diálogo. Nosso objetivo é manter 100% da frota operando, visando garantir o direito de ir e vir dos usuários”, destaca.

Atualmente, os motoristas do transporte coletivo de Manaus recebem, somando todos os benefícios, R$ 3.078,43. O segundo maio salário do Brasil segundo o Sinetram. O valor fica  atrás apenas de Porto Alegre. O reajuste de 10% foi concedido em abril deste ano.

Só nos últimos seis meses os rodoviários já paralisaram 43 vezes

Salários

Em uma paralisação na semana, funcionários da empresa Líder confirmaram que os salários não estão atrasados. Na ocasião, eles reivindicavam a troca da empresa financiadora responsável pelo pagamento dos funcionários, pois estavam insatisfeitos com a forma como os pagamentos são feitos.

“Não estamos com os salários atrasados, mas queremos a mudança dessa financiadora, pelo constrangimento que passamos nos dias de pagamento. O dinheiro é sempre depositado com um ou dois dias de atraso e só podemos receber em caixas eletrônicos dessa financiadora, que não são muitos na cidade”, contou o motorista Edson Souza.

Nesta segunda-feira (26), o presidente dos rodoviários, Givancir Oliveira, informou que o motivo da greve é para reivindicar aumento salarial. “O que nós queremos, tão somente, é aumento de salário, tendo em vista que o Sinetram teve o maior aumento de passagem do Brasil”, declarou Givancir Oliveira.

O transporte coletivo de Manaus opera com dez empresas, em 221 linhas, e transporta em média 800 mil pessoas por dia.

Mara Magalhães
EM TEMPO

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