Política

Parágrafo do PME que trata de ideologia de gêneros gera discussão entre vereadores na CMM

 

O plano norteará a educação pelos próximos dez anos e nele estão 216 estratégias que devem ser executadas pelo município. foto: Henderson Martins

O plano norteará a educação pelos próximos dez anos e nele estão 216 estratégias que devem ser executadas pelo município. foto: Henderson Martins

O Projeto de Lei (PL) 190/2015, referente ao Plano Municipal de Educação (PME), foi colocado em pauta manhã desta segunda-feira (22) na Câmara Municipal de Manaus (CMM) em regime de urgência e causou confusão devido a três parágrafos que se tratava da ideologia de gêneros.

Conforme o texto, a ideologia de gêneros teria que ser discutida dentro de sala de aula e recursos deveriam ser aplicados para a capacitação de profissionais da educação para trabalhar com a temática.

Para o vereador Bibiano (PT) a casa legislativa não quis discutir o verdadeiro PME, já que o plano chegou na última quarta-feira (17) e já foi apresenta para votação nesta segunda-feira (22), o que retirou a parcela de participação da sociedade civil que era uma orientações do Plano Nacional de Educação (PNE).

“Existe outras metas para discutir, o plano não se resume a ideologia de gêneros, o plano é toda riqueza que nossa cidade tem em torno da educação”, ressaltou o parlamentar.

Ainda conforme o vereador, está se deixando de fora a discussão em relação a creches a merenda escolar, a questão da valorização salarial dos educadores e da melhoria do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Indeb).

Nos corredores da CMM, ouve aglomeração de movimentos religiosos que pediam a retirada dos parágrafos que tratavam de ideologia de gêneros, e também de grupos que eram a favor ao tema.

Para a coordenadora do movimento carismático de Manaus, Maria José, os parágrafos embutidos no PME seriam um “perigo” a formação familiar.

“Nossos filhos vão deixar de ser educados pelos pais, pelas famílias sobre sexualidade, sobre orientação sexual, e vão ser obrigados a aprender na escola através dos professores que eles não nascem nem menino nem menina, que vão crescer e definir mais tarde o gênero querem ser”, conta a coordenadora.

Para Geana Brasilis, propulsora do movimento de aprovação do nome social na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o simples fato de discutir a ideologia de gênero já é uma questão preconceituosa.

“A escola deveria ser um lugar de pluralidade e isso não acontece. Essa evasão de crianças e adolescentes deve acabar, e a discussão nas escolas é essencial”, afirma Geana.

A bancada evangélica da CMM também se posicionou contrária aos parágrafos contidos no PME. Segundo a vereadora, pastora Luciana (PP), a orientação sexual das crianças deve ser discutida em casa pelos pais.

“Quando você está em fase adulta você sabe fazer suas escolhas, mas uma criança de três a cinco anos na sua inocência deve sim ser orientada pelos pais, o fator família é imprescindível para formação desses indivíduos”, afirmou a vereadora.

Para o líder do governo, vereador Elias Emanuel (sem partido), o movimento da renovação carismática e todos cristãos temem a inclusão do conceito da ideologia de gêneros no conteúdo pedagógico das escolas.

“Um dos princípios da ideologia de gênero é que não se nasce homem ou mulher, mas a definição da opção sexual se constrói dentro do meio onde essa pessoa cresce. O Estado seria um dos componentes a orientar essa opção e com isso os movimentos religiosos se levantam veemente contra esse princípio”, conta o parlamentar.

A presidente da Comissão de Educação da Câmara, vereadora Therezinha Ruiz (DEM), os termos que tratam de ideologia de gêneros deve ser substituídos ou até modificados no PME, depois de ser apresentados para as comissões. “Temos que ter cuidado na formação integral dessas crianças, depois de adultas tudo bem, mas enquanto crianças sou a favor da educação pelos pais”, afirma a vereadora.

O presidente da casa legislativa municipal, vereador Wilker Barreto (PHS) deve ser votado na tarde de hoje. O plano norteará a educação pelos próximos dez anos e nele estão 216 estratégias que devem ser executadas pelo município.

Por Henderson Martins (especial EM TEMPO Online)

1 Comment

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  1. Priscila

    23 de junho de 2015 at 18:07

    O nome da trans é DIANA Brasilis, e não Geana.

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