Dia a dia

Para professores do AM, data comemorativa serve para clamar por mais valorização à categoria

No dia dos professores, categoria reivindica por melhores condições de trabalho e salários - foto: Divulgação

No dia dos professores, categoria reivindica por melhores condições de trabalho e salários – foto: Divulgação

O dia dos professores é comemorado neste sábado (15) e, mesmo com algumas ações promovidas por órgãos estaduais para festejar a data, representantes da categoria afirmam que a data serve para que os poderes, estadual e municipal, voltem aos olhos à categoria que, ainda, reivindica por melhores condições de trabalho e salários.

Em cumprimento à legislação eleitoral, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que não irá promover quaisquer eventos em comemoração à classe docente. Já a Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc), promoveu nesta sexta-feira (14), a tradicional festa dos professores no Centro de Convenções Studio 5, localizado na avenida General Rodrigo Otávio.

Segundo a Seduc, o Studio 5 ofereceu aos professores shows de artistas locais e baile. A festividade teve como objetivo a valorização da luta diária e também festejar o crescimento do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Amazonas. Além disso, as diversas escolas do estado irão promover, durante toda a semana que está por vir, festas ‘particulares’ aos professores que compõem o quadro.

Luta da classe

O coordenador de finanças da Associação Movimento de Luta dos Professores de Manaus (Asprom/Sindical), professor Lambert Melo, disse ao portal EM TEMPO que não há o que ser comemorado neste sábado.

“Hoje, ouvimos a notícia de que o governador assinou o contrato para o plano de saúde que estamos reivindicando há mais de 4 anos. Não comemoramos porque não será gratuito como pedimos, teremos que pagar parte dele. Isso é ruim porque tem mais de dois anos que não temos reajuste salarial na Seduc”, reclamou Lambert do convênio firmado entre o governo e uma operadora de saúde.

Segundo o governo do estado, o convênio irá beneficiar 29 mil colaboradores da secretaria, da capital e do interior, por meio de atendimento hospitalar ambulatorial e emergencial, obstetrícia e odontológico. Ainda de acordo com o governo, o plano, que será implantado a partir de novembro, poderá ser estendido para os servidores dos demais setores estaduais.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), Marcos Libório, a conquista do plano de saúde é positiva mas, no geral, ainda falta a valorização da classe, como o respeito pelo piso salarial.

“Nossa categoria não é valorizada como gostaríamos que fosse.  O salário continua baixo, muitas vezes, temos muito a avançar, seja no nível nacional como estadual e municipal. Os municípios do interior são piores ainda, os governantes não respeitam as legislações do piso salarial ou planos de cargo. Nesta data importante, gostaríamos que houvesse a valorização por meio de escolas de qualidade, mais financiamento para uma educação primorosa que pode ajudar a resolver questões sociais, econômicas” afirmou.

Outro ponto discutido foi em relação a reforma no ensino médio, e que nenhuma das entidades sindicais são a favor da medida.

“Não concordamos porque é feita de forma errada, sem discussão aprofundada com a categoria dos professores de modo geral. A prática do governo Temer é fazer as coisas sem discussão. Essa medida não vai melhorar a qualidade de ensino para formar cidadãos, vai contribuir apenas para criar apertadores de parafuso no distrito”, disse o representante da Aspron/Sindical.

Libório entende como retrocesso que visa prejudicar os alunos da rede pública a ter qualidade de ensino e a ingressar na universidade.

“Precisa ter todas as disciplinas disponíveis para ajudar a formar agentes de transformação da sociedade com aquilo que é discutido. A reforma vai de contra ao plano de educação, é uma medida conservadora, elitista e tenta prejudicar os alunos a disputar de igual para igual com os da rede privada. Somos contra porque só prejudica. É o AI- 5 da educação”, ressaltou o representante do Sinteam.

Concurso público

A pedagoga Synara Freitas participou do concurso da Semed de 2014 e reclama que a entidade não chamou mais professores do cadastro de reserva ainda que, aparentemente, muitas escolas precisem desses profissionais.

“O concurso tem validade de dois anos. Eles chamaram uma quantidade e o restante não. Enquanto isso, eles apenas renovam os contratos de quem está lá por processo seletivo simplificado. Procuramos a Defensoria Pública do Estado (DPE) para nos ajudar a resolver essa situação. Oitenta escolas estão sem pedagogos ou eles atuam apenas em um horário”, relatou Synara que, na ordem de classificação, ficou em 3º lugar no concurso.

A assessoria da Semed explicou que em ano de período eleitoral é proibido qualquer tipo de contratação, seja por concurso ou processo seletivo. Este fato se estenderá até o dia 31 de dezembro de 2016. O órgão ainda destacou que, anteriormente, já fez chamadas tanto dos aprovados na classificatória normal do concurso como também parte do cadastro reserva.

Em nota, a Semed informa que a chamada dos aprovados que compõem o cadastro reserva do último concurso da secretaria está prevista para janeiro de 2017.

Ato dos professores

No sábado (15), a Asprom/Sindical promove o ato público intitulado ‘Dia do professor é dia de luta’, a partir das 9h, na praça Heliodoro Balbi, mais conhecida como praça da Polícia, localizada no Centro de Manaus.

“Todos os professores e profissionais ligados à educação são convidados a participar deste ato que luta para que nossa classe seja mais valorizada”, convidou Lambert.

Manoela Moura
Portal EM TEMPO

 

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