Economia

Pão continua caro, mesmo com o dólar em queda

Venda do pão é praticada conforme as condições de cada empresa. Quando acontece o reajuste, algumas empresas optam por fazer, enquanto outras têm a liberdade de não praticar a alteração – Ione Moreno

Diferente do que acontece quando o dólar termina em alta e eleva o preço dos produtos das panificadoras, a queda de 0,46% da moeda norte-americana não deverá trazer uma redução na comercialização de pães no Amazonas. No último dia 24, o dólar ficou cotado em R$ 3,05, o menor valor desde de 2015. Na semana que passou, a cotação ficou em R$ 3,11.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas (Sindipan-AM), Williams Barbosa, quem determina os preços e valores da matéria-prima para as padarias não são as panificadoras e sim os moinhos. Segundo o sindicalista, pela lógica, com a queda no dólar deveria ser reduzido o preço de comercialização dos pães, uma vez que a compra da matéria-prima, que é importada, é feita com a moeda
norte-americana.

“Os moinhos não sinalizaram diminuição do preço da matéria-prima. Se eles não diminuem, nós não temos como reduzir. Eu gostaria muito, mas isso não depende de nós empresários panificadores”, afirma o presidente do Sindpan.

O dirigente explicou que quando os moinhos reduzem, mesmo não sendo uma redução definitiva, o setor baixa o preço dos produtos por uma questão de fidelizar o cliente, isso sem perder a qualidade do produto. Entretanto, o sindicalista explicou que existe toda uma cadeia de custos que deve ser analisada.

“São gastos com energia elétrica, salários, operações. O principal é a farinha de trigo, mas não podemos deixar de levar em conta esses outros gastos”, destaca.

Segundo o presidente do Sindpan, o preço de comercialização do pão é praticado conforme as condições de cada empresa. Quando acontece o reajuste, algumas empresas fazem o aumento também, outras não.

Williams Barbosa disse ainda que, no ano passado, o produto teve uma redução, mesmo o dólar estando em alta. “Isso aconteceu para que o empresário pudesse se manter no mercado. Ele queimou o resto da gordura que tinha para poder atender ao cliente e para permanecer com as portas abertas”, conta.

Preço médio

Williams Barbosa afirma que atualmente não há nada que justifique um possível aumento no preço do pão. O sindicalista disse ainda que a média de preço do quilo do pão em Manaus é de R$ 8, sendo que há empresas que vendem de R$ 6, podendo chegar a R$ 11. O motivo da diversidade nos preços são os custos diferenciados.

Para o musicista Leandro Ferreira, deve existir uma fiscalização rigorosa na questão de comercialização dos produtos das panificadoras para que o consumidor não seja lesado. Segundo ele, se o preço do produto que tem como matéria-prima o trigo é reajustado com o aumento da moeda norte-americana, deve existir um abatimento no preço caso a moeda opere em baixa.

“Acho que o direito do consumidor deve ser mantido sempre, se temos que pagar mais caro quando os custos dos empresários são elevados, temos total direito de pagar menos quando esses mesmos custos não diminuídos”, diz.

Valor mais acessível

Para a atendente, Ana Paula Meneses, 40, o preço do pão está bastante salgado e deve receber um abatimento. Segundo ela, o valor deve ser acessível para a população, atendendo as expectativas do mercado produtivo de panificação, em equilíbrio com o cenário econômico brasileiro.

Ela explicou que é válida a redução na comercialização do produto das panificadoras, uma vez que o valor da matéria-prima deve ficar bem mais em conta com a baixa do dólar.

Henderson Martins
EM TEMPO

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