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Palestinos serão os mais prejudicados por boicote da UE, diz cônsul de Israel

A iniciativa de boicotar produtos fabricados por empresas de Israel instaladas em assentamentos na Cisjordânia prejudica muito mais os palestinos dos que os israelenses. A opinião é do cônsul-geral do país em São Paulo, Yoel Barnea.

O diplomata comentou, em encontro nesta quinta (12), a decisão da Comissão Europeia de rotular produtos provenientes de assentamentos israelenses em territórios ocupados. Para Barnea, a medida é segregacionista.

“Vemos isso como medida discriminatória. Temos atualmente cerca de 200 conflitos territoriais ao redor do mundo”, afirmou, ressaltando que em nenhum outro caso o bloco europeu tomou medidas semelhantes.

O cônsul defende que os palestinos são os que mais têm a perder com a etiquetagem -que pode facilitar um eventual boicote de cidadãos europeus aos produtos marcados.

“Nessas empresas [instaladas em assentamentos], há 15 mil trabalhadores palestinos empregados e o salário deles é, em média, duas vezes maior do que na Cisjordânia”, disse Barnea. “A medida vai resultar em desemprego.”

Não se trata de negar o impacto econômico que um boicote teria à economia de Israel, disse o cônsul, mas que isso seria um efeito secundário.

A nova diretriz europeia será inicialmente aplicada sobre frutas e vegetais cultivados em assentamentos.

Reino Unido, Bélgica e Dinamarca já colam etiquetas diferenciando produtos israelenses oriundos de Israel daqueles provenientes dos territórios ocupados. Agora todos os 28 Estados membros da UE terão de aplicar etiquetas. O governo israelense condenou a medida.

A medida é considerada uma vitória para o Movimento BDS, que prega o boicote, o desinvestimento e sanções (daí a sigla) ao Estado de Israel como forma de pressão para o fim dos assentamentos na Cisjordânia.

A UE não reconhece a ocupação por Israel da Cisjordânia, da faixa de Gaza, de Jerusalém Oriental e das colinas do Golã, territórios árabes que os israelenses capturaram em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias.

ASSENTAMENTOS

Barnea defendeu os assentamentos como forma de reciprocidade dos territórios palestinos. “Hoje, 20% da população de Israel é árabe. Por que os judeus não podem perto de Hebron, de Nablus, de locais sagrados para eles?”, questionou.

“Não estamos falando de soberania [israelense], estamos falando do direito de morar.”

O cônsul criticou também a cobertura da mídia sobre o recente acirramento das tensões na região. “O título sempre é ‘Israel mata palestino'”, disse, mesmo que o palestino tenha esfaqueado israelenses antes de ser morto.

 

Por Folhapress

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