Esportes

Paixão e superação na história de um campeão amazonense

Lutador afirma que deficiência nunca foi um empecilho para o seu desenvolvimento no esporte – foto: Diego Jantã

Lutador afirma que deficiência nunca foi um empecilho para o seu desenvolvimento no esporte – foto: Diego Jantã

Ele tinha todos os motivos para ser um revoltado com a vida. Alex Taveira, 29, nasceu com uma deficiência congênita na perna direita. Mas, aquilo que parecia uma limitação, na verdade, se tornou a mola propulsora para uma vida de desafios e conquistas.

Alex é uma das revelações do jiu-jítsu do Estado e tem se destacado em torneios nacionais e internacionais. A perna direita, bem menor do que a outra, não atrapalha em nada na execução dos golpes. Quem assiste às lutas de Taveira pode chegar à conclusão que o problema, na prática, faz é ajudar.

Ele será uma das estrelas do Gladiator Fight 2, evento de lutas casadas que acontecerá no dia 5 de fevereiro, em Manaus. Alex vai encarar Raymisson Michiles na disputa pelo título dos faixas pretas até 64 quilos.

“A deficiência física nunca foi problema para mim e sempre lutei de igual para igual com qualquer adversário. Adaptei meu jogo à minha deficiência e estou muito focado para buscar essa vitória por finalização”, diz o atleta, que representa a equipe Carioca Team.

Por coincidência ou não, Alex é morador do bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus. O local é um celeiro de lutadores e já revelou nomes como o de José Aldo e Diego Brandão. Ele começou no esporte aos 11 anos, jogando futebol nas peladas de rua. “Foi aí que o Márcio Pontes (primeiro treinador de José Aldo, ex-campeão do peso pena do UFC) me chamou para treinar jiu-jítsu. Gostei e nunca mais larguei”, lembra.

Não só não largou como ampliou a carreira no esporte. Alex disputa competições do paradesporto pelo Amazonas nas modalidades de atletismo, halterofilismo e ciclismo. “Foi uma experiência interessante até porque, na época, eu buscava modalidades que credenciassem ao Bolsa Atleta. Mas o jiu-jítsu sempre foi a minha paixão, meu esporte favorito, e hoje eu me dedico exclusivamente aos treinos e aos campeonatos”, afirma.

A trajetória de conquistas não foi nada fácil. “Todo mundo que sonha em viver do esporte passa por alguma dificuldade no início e foi o que eu sofri também. As crianças me olhavam e diziam: ‘Aí, ele tem uma perna pequena’. Isso rolou, mas nada que me constrangeu”, relembra o lutador.

“Eu sempre levei de boa, tanto é que nunca me dei como uma pessoa deficiente. Desde criança, sempre jogava futebol. Vivo até hoje como uma pessoa normal, tanto é que sempre procurei uma competição em que lutasse de igual para igual. Uma coisa que levo sempre comigo: se a cabeça manda informação que você não consegue, ouça o coração”, ensina.

Títulos
Taveira é dono de um currículo elogiável. Foi oito vezes campeão amazonense, cinco no submission (sem quimono). Também ganhou um Pan-Americano sem quimono nos Estados Unidos e o vice da mesma competição, mas com quimono. Foi ainda bicampeão brasileiro de parajiu-jítsu, categoria absoluto, e bicampeão mundial da categoria absoluto de parajiu-jítsu.

As recentes façanhas foram os títulos da categoria absoluto nas temporadas de 2014 e 2015 nos campeonatos Nacional e Mundial da recém-criada Confederação Brasileira Paradesportiva de Jiu-Jítsu (CBPJJ).

Depois do Gladiator, Taveira viaja para uma temporada de trabalho na American Top Team, nos Estados Unidos, onde o amazonense Adriano Martins faz seus treinamentos para o UFC. Ele recebeu convite para ser professor de jiu-jítsu.

Vai ficar longe da família por um tempo. Mas se a deficiência física nunca foi um impedimento para vencer no esporte, as saudades do filho serão apenas mais um teste de superação: “Tenho um filho de 7 anos. Ele mora com mãe e de vez em quando treina comigo. Por incrível que pareça, ele tem jeito e, se depender de mim, se um dia ele quiser seguir os passos do pai, darei todo meu apoio. É bom que ele pega o gosto desde cedo”, declarou Alex.

Por Lindivan Vilaça

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