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Pais de militar muçulmano morto no Iraque são destaque em convenção

Ele ordenou que seus colegas se afastassem e deu dez passos em direção a um táxi laranja que se aproximava dos portões da base militar em Baquba.


Num atentado suicida, os dois ocupantes do carro se explodiram, e o capitão Humayun Khan, 27, virou a 66ª vítima da guerra do Iraque, um mês depois de falar com a família pela última vez, no Dia das Mães, e repetir à sua o que sempre dizia: “Não se preocupe, estou seguro”.

Nesta quinta (28), os pais de Khan lembraram daquele junho de 2004, num dos discursos mais comentados da Convenção Nacional Democrata.

Ao subir ao palco para honrar a memória de Humayun, seus pais tinham um alvo claro: o presidenciável republicano, Donald Trump, que propôs banir muçulmanos dos EUA para combater o terrorismo -muçulmanos como seu filho.

Na parte mais aplaudida da fala, o pai, Khizr, sacode uma Constituição americana no ar e pergunta se Trump já leu o texto.

“Emprestaria com gosto minha cópia para você. Neste documento, procure pelas palavras ‘liberdade’ e ‘igualdade perante a lei'”, disse, com sua mulher ao lado.

Em seguida, Khizr pergunta se o empresário já esteve no Cemitério Nacional de Arlington, na Virgínia, onde muitos veteranos de guerra são enterrados.

“Procure pelas lápides dos bravos patriotas que morreram defendendo a América. Você verá várias fés, gêneros e etnias. Você nunca sacrificou nada nem ninguém.”

Ele também disse que, se fosse pelo republicano, o filho “nunca teria vindo para a América”. “Donald Trump repetidamente mancha a imagem dos muçulmanos. Ele sugere construir muros e quer nos banir deste país.”

Nascido nos Emirados Árabes, Humayah tinha 2 anos quando a família se mudou para Silver Spring, no Estado de Maryland.

Na escola, deu aulas de natação para crianças com deficiência. No Exército, colaborou com um programa que pagava US$ 5 por hora para civis iraquianos patrulharem as ruas da cidade de Baquba -uma parceria EUA-Iraque para enfrentar o alto desemprego local.

Filho de paquistaneses e namorado de uma alemã, Irene Auer, ele foi sepultado com todas as honras militares, segundo obituário do “Washington Post” em 2004.

Doze anos depois, seu pai contou sobre a vinda da família Khan para os EUA. “Nós acreditávamos na democracia americana. […] Nosso filho sonhava em ser um advogado militar. Mas colocou seus sonhos de lado no dia em que se sacrificou para salvar seus soldados.”

Uma pesquisa de junho da NBC mostrou que 50% dos americanos apoia o veto a muçulmanos proposto por Trump, enquanto 46% se opõem à ideia.

Por Folhapress

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