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Pai que assumiu ter jogado filho no rio Negro diz ter sido forçado a ‘confessar’

Acusado de ter arremessado no rio Negro o filho de 4 meses, Josias Alves afirma que foi obrigado a assumir o crime. foto: Márcio Melo

Acusado de ter arremessado no rio Negro o filho de 4 meses, Josias Alves afirma que foi obrigado a assumir o crime. foto: Márcio Melo

O crime que chocou a sociedade amazonense, em 2015, pode ter uma reviravolta na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Dois meses após ter admitido em depoimento à Polícia Civil que matou o próprio filho, Pablo Pietro, de apenas 4 meses de idade, ao arremessá-lo no rio Negro, o canoeiro Josias de Oliveira Alves, 30, promete assumir perante a Justiça que mentiu em depoimento. “Fui pressionado a confessar. Colocaram uma arma na minha cabeça mais de sete vezes e me ameaçaram, caso eu não admitisse a culpa do crime. Eu só queria sair daquele lugar”, declara ele, em entrevista exclusiva nas dependências do Comando de Policiamento Especial (CPE), bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste, onde está preso desde o dia 16 de setembro.

Ao EM TEMPO, Josias admite que foi forçado a assumir à culpa pelo crime, ao ter uma arma apontada na cabeça pelo delegado titular da Delegacia Especializada de Homicídios e Sequestros (DEHS), Ivo Martins. “Todas as noites em que fiquei preso lá, eram um pesadelo. O delegado ia na minha cela, colocava a arma na minha cabeça e mandava eu confessar logo o crime para acabar com aquilo. Na sala dele, ele também me ameaçou com a pistola e chegou a dizer que, se eu não confessasse logo, ele iria me matar”, relata.

O canoeiro afirma que as intimidações praticadas pelo delegado foram feitas quando os dois estavam sozinhos e que o acusado não contou aos seus advogados sobre a coação, por temer por sua vida. Josias afirma que irá usar esse depoimento para provar à Justiça a sua inocência. “Eu fiquei com muito medo. Temia que eles me matassem dentro daquela delegacia. E acabei confessando o crime porque queria sair daquele lugar”, afirma.

Questionado sobre os motivos que o levaram a não relatar as ameaças que sofreu na DEHS, Josias confessa que ficou com medo de falar para seus advogados e o delegado se vingar dele matando-o. “Eu estava aterrorizado, nunca tinha passado por isso e fiquei com medo de acontecer algo. Estava naquela delegacia à mercê do delegado, que podia me matar a qualquer momento na minha cela”, conta.

Ao ser perguntado por que não foi adotada nenhuma medida contra as ameaças, o advogado de defesa do canoeiro, Samarone Gomes, foi categórico ao afirmar que Josias não relatou a ele, no período em que esteve preso na DEHS, a coação sofrida. “Foi uma surpresa para mim quando ele contou que esteve sob a mira de uma arma, que ele era pressionado todos os dias, porque quando íamos à delegacia visitá-lo ele se dizia assustado, mas nunca dizia a razão”, declara.

O advogado afirma ainda que há muitas falhas no processo de Josias e nos métodos de como as investigações foram realizadas, e isso servirá como estratégia da defesa para conseguir que o acusado seja inocentado. “O Josias foi tratado desde o começo como o único culpado. Não foram ouvidas as testemunhas, não houve reconstituição do caso. A polícia só queria conseguir um culpado para dar resultado para sociedade”, explica.

 

Delegado nega as acusações

Diante das acusações de ameaças, o delegado Ivo Martins assegura que elas nunca aconteceram e que vai instaurar um inquérito policial pelo crime de denunciação caluniosa contra o acusado. “Isso não aconteceu de maneira nenhuma. Quem me conhece sabe que eu nunca usaria dessas artimanhas. Isso não procede porque a pressão que existia era sob o caso e não sobre o Josias. Todos os procedimentos foram feitos à luz da lei”, esclarece o delegado.

Quanto às acusações de falhas nas investigações e de falta de testemunhas do caso, o delegado afirma que todos os procedimentos foram feitos. “Só quem poderia esclarecer os fatos eram os dois porque o caso aconteceu no meio do rio à noite. Então, não tinha nenhuma testemunha, embora nós ouvimos na delegacia, os familiares de ambos, pessoas que estavam no porto e o patrão do Josias. Isso é estratégia da defesa dele, alegar falha nas investigações”, avalia.

Ao EM TEMPO, o delegado diz ainda que é possível acusar Cleudes Maria de Moraes Batista, 23, de não ser uma boa mãe, uma vez que ela é usuária de drogas e chegou a usar maconha algumas horas depois que o filho foi arremessado no rio. “É possível dizer que ela mentiu quando disse que nadou no rio e que também não ligava para os filhos. O interesse dela era somente no dinheiro, na pensão que recebia, mas não posso acusá-la de um crime, o qual o Josias confessou”, finaliza.

 

Estratégia

O advogado de defesa de Cleudes, Thiago Bezerra, afirmou que as alegações que a morte do bebê tenha sido um acidente é uma clara estratégia de defesa para que o acusado seja inocentado e o processo invalidado pela Justiça. “A Cleudes é inocente. Ela nunca mudou o depoimento dela em momento algum e o Josias sempre mudava. É claro que a defesa vai usar dessas alegações no júri e isso é natural”, disse.

 

Denúncia

Josias foi denunciado pelo Ministério Público do Estado (MPE- AM) no dia 16 de outubro e o processo encaminhado a 1ª vara. Procurado pelo EM TEMPO, o relator da denúncia e promotor Armando Gurgel afirmou que acompanhou o caso de perto e esteve na sede da DEHS três vezes para ouvir os depoimentos e também ter acesso as investigações. “Acompanhei o caso e me causa estranheza essa denúncia na qual o Josias acusa o delegado dessas ameaças. Estive lá e posso afirmar que essa coação por parte da polícia e do delegado nunca aconteceram”, comenta.

 

Por Ana Sena

2 Comments

2 Comments

  1. França Nascimento

    8 de novembro de 2015 at 16:45

    PELO COMENTARIO, ALGUNS DELEGADOS NÃO ESTÃO PREPARADOS, POIS NÃO RESPEITAM A CF.SE É PRESO TODOS TEM DIREITO AO ADVOGADO, E TAMBÉM O DIREITO DE SÓ FALAR EM JUÍZO. TORTURA É CRIME, SERÁ QUE ESTE DELEGADO ESTUDOU DIREITO? ESTE DELEGADO ESTA COMETENDO MUITOS ERROS,SERA QUE ELE NÃO TEM SUPERIOR? PORQUE ELE PODE TORTURAS OS PRESOS? NÃO EXISTE JUSTIÇA NO AMAZONAS? E OS DIREITOS?ERROU É PARA PAGAR, MAS COM OS DIREITOS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

  2. França Nascimento

    8 de novembro de 2015 at 13:24

    EU QUERO SABER SE O DELEGADO EM TELA TEM CURSO SUPERIOR EM DIREITO, SE ESTUDOU PSICOLOGIA, DIREITOS HUMANOS. O QUE VEJO ATÉ AGORA É O COMENTÁRIO DE TORTURA EM DELEGACIAS,E
    TORTURA É CRIME , NÃO SEI SE SABEM. É DELEGADO COM PALMA-
    TÓRIA E PONDO PRESOS EM LUTA CORPORAL, E DANDO CHOQUES.
    E ESSA É A LEI? SE FEZ O CRIME E CONTOU O QUE SABE É PARA IR PARA O PRESIDIO.E A CONSTITUÇÃO FEDERAL ???

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