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Pai de bebê jogado no rio presta depoimento à polícia e diz que mãe arremessou filho na água

Josias se apresentou na tarde desta sexta-feira (21), na DEHS, para prestar depoimento sobre o caso - foto: Janailton Falcão

Josias se apresentou na tarde desta sexta-feira (21), na DEHS, para prestar depoimento sobre o caso – foto: Janailton Falcão

Após ter um mandado de prisão temporária decretado, Josias de Oliveira Alves, 29, suspeito de jogar o filho de quatro meses no rio Negro, se apresentou à polícia por volta de 15h50 desta sexta-feira (21) para contar a sua versão da história. Ele chegou acompanhado de dois advogados na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e apareceu com hematomas no olho esquerdo, alegando que fora agredido pela mãe do bebê, Cleudes Maria Batista de Moraes, 22, na noite do crime.

Conforme o canoeiro, a criança foi arremessada nas águas pela ex-companheira – que afirma exatamente o contrário, incriminando Josias. Ele também contou que estava escondido porque se sentia ameaçado pela ex-mulher, dizendo que estava apenas esperando o “momento certo” para se entregar à polícia e esclarecer os fatos.

Versão de Josias

De acordo com os advogados de defesa do suspeito, Wagner Amâncio e Samarone Gomes, Josias confirmou que teria se encontrado com Cleudes nas proximidades do porto de São Raimundo, na noite do crime.

Conforme Amâncio, Josias alegou, em depoimento, que Cleudes sempre foi muito violenta com ele. Ele também afirmou que a ex-mulher é usuária de drogas.

“Segundo Josias, Cleudes poderia estar sob efeito de entorpecentes no momento da ação, pois ela estava muito descontrolada. Ele contou que a ex-mulher tentou jogar o filho no rio duas vezes. Na primeira tentativa, ele conseguiu impedir a ação. Porém, ele foi agredido e ameaçado por Cleudes com uma faca. Em seguida, ela tomou o filho dos braços dele e depois arremessou a criança nas águas”, disse o advogado.

Ainda conforme Josias, ele acredita que a ex-companheira tenha premeditado o crime, pois, após o ocorrido, ele foi abordado por quatro homens, ainda não identificados, que tentaram matá-lo. Ele contou também que conseguiu fugir do bando e ouviu quando um dos caras falou ao outro: “Liga pra Cleo [Cleudes] e diz que esse aí já era”, relatou em depoimento.

O advogado ainda ressaltou que, por este motivo, Josias ficou escondido debaixo da ponte – próximo ao porto de São Raimundo – por cinco dias, se apresentando somente hoje à polícia.

“Ele [Josias] dava a ela [Cleudes] R$ 400 por semana. Era todo o dinheiro que ele conseguia como canoeiro. Ele ficava sem dinheiro algum e comia pelo barco mesmo. Não acredito que ele seja o culpado nessa história toda, já que a versão dela apresenta muitas inconsistências”, frisou Amâncio.

Uma reconstituição do crime será feita, mas ainda não tem data prevista.

Entenda o caso

O fato aconteceu por volta de 21h da última sexta-feira (14), nas proximidades do porto de São Raimundo, Zona Oeste da capital. Segundo relatos da mãe da criança, ela teria ido ao local para cobrar do ex-companheiro a pensão do filho.

Na ocasião, Josias teria convencido Cleudes a entrar em uma canoa junto com o menino e, após uma calorosa discussão entre os dois, ele tentou asfixiá-la. Como não conseguiu, jogou-a nas águas e, em seguida, atirou o bebê no rio.

Cleudes, no entanto, conseguiu nadar até à margem, onde pediu ajuda à polícia. Desde então, o Corpo de Bombeiros tem realizado buscas incessantes pela criança, que ainda não foi encontrada.

O caso foi registrado como homicídio doloso no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde o delegado plantonista, Carlos Rufino, disse que a mãe é natural do município de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus), e que ela veio à capital em busca de pensão para o menino.

Por Narel Desiree

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