Cultura

Pai de Amy Winehouse vira vilão em documentário sobre a cantora

O Festival de Cannes finalmente exibiu ao mundo o novo documentário sobre a cantora Amy Winehouse, morta em julho de 2011, vítima de envenenamento por álcool. Antes mesmo da estreia mundial do filme dirigido por Asif Kapadia (“Senna”), neste sábado (16), como parte da programação oficial do evento francês, a controvérsia já circulava em torno da obra.

Mitchell, pai da cantora, foi à imprensa inglesa para declarar o filme “enganador”. Um dos ex-namorados disse que não foi procurado e que o longa não “mostra a Amy real”. Não é bem assim. O pai da artista realmente sente a necessidade de atacar o documentário, porque ele é escolhido como o grande vilão pela vida trágica de Amy Winehouse.

Logo no início do filme, a cantora fala que começou a se rebelar quando seus pais se separaram, aos 90 anos. “Ele nunca estava lá. Não falo de me pegar na escola, mas à noite, quando as merdas acontecem”, confessa ela em uma da suas primeiras entrevistas como artista. Em seguida, Mitchell sempre está ligado aos piores momentos de Amy, mas não como catalisador, apenas como ausente ou aproveitador. Por exemplo, ela estava disposta a ser internada para tratar seu vício em heroína e cocaína antes de ficar famosa. “Faço se meu pai achar que devo”, disse a cantora. Ele achou que ela não precisava.

Em um segundo momento, Amy Winehouse, já famosa e tentando recuperar-se nas Bahamas, convida o pai para ficar com ela e os amigos. Ele chega com uma equipe de filmagens, claramente incomodando a filha. Em vez de recuar neste projeto, ele fica dando lições de moral bizarras. “O pai era como deus para ela”, diz uma das suas melhores amigas.

“Amy” tenta concluir quem são os responsáveis pela trajetória perturbada de Amy, menos a própria. Mas o filme cria vários vilões para aliviar a barra do pai. E não apenas o conhecido ex-marido da cantora, Blake Fielder-Civil: empresários gananciosos, a mídia sensacionalista, a mãe que não notou os problemas de bulimia da filha e até o fato de uma menina de 13 anos ser dona de uma casa em Londres onde, segundo suas palavras, “queria apenas fumar maconha”.

Mas há muito mais neste ótimo documentário além de apontar dedos ou fazer julgamentos. A começar pelas imagens de arquivos cedidas pelas amigas e o primeiro empresário de Amy: ela cantando “Feliz Aniversário” quando nem sonhava em ser cantora é de arrepiar; e sua reação nos bastidores do Grammy quando recebe o prêmio e vê, pela tela, o ídolo Tony Bennett é de cortar o coração -drama equilibrado com sua reação de estranheza ao ouvir o nome de Justin Timberlake como um dos seus concorrentes em melhor gravação do ano.

Equilibrando a delicada trilha sonora orquestrada pelo brasileiro Antônio Pinto (“Senna” e “Cidade de Deus”) com as canções originais, o filme fica ainda mais potente. Kapadia é esperto ao usar acontecimentos pessoais de Winehouse e logo emendar com a música gerada por eles -caso de “Rehab” e “You Know I’m No Good”.

No fim, “Amy” não entrega nenhum segredo inédito, mas pinta o retrato íntimo de uma mulher sensível e problemática, usando todos os recursos possíveis em termos visuais -menos colocar os personagens entrevistados na frente da câmera. O que não é uma desvantagem quando você tem uma das celebridades pop mais filmadas e fotografadas da era moderna.

Por Folhapress

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