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Pacientes renais protestam contra redução de hemodiálise em unidades de saúde em Manaus

Familiares dos renais dizem que, desde junho, o número de sessões de hemodiálise caiu para apenas um por semana - foto: Gerson Freitas

Familiares dos renais dizem que, desde junho, o número de sessões de hemodiálise caiu para apenas um por semana – foto: Gerson Freitas

Familiares e pacientes renais realizaram uma manifestação na manhã desta sexta-feira (29), em frente à Clínica Renal, localizado no bairro Cachoeirinha, Zona Sul, uma manifestação contra o não-pagamento dos convênios com as unidades de saúde responsáveis pela hemodiálise. De acordo com os manifestantes, essa situação compromete o tratamento de mais ou menos 250 pessoas, oferendo risco de morte aos pacientes.

Segundo os familiares dos renais, desde junho, o número de sessões de hemodiálise por semana, foi reduzido apenas para uma, sendo que o necessário para que o paciente continue com vida é no mínimo três. Eles afirmam também que os hospitais não estão mais liberando o centro cirúrgico para que os pacientes crônicos coloquem os acessos.

“Meu filho, há quatro anos faz hemodiálise aqui na Clínica Renal e agora fomos informados que temos até o dia 18 de outubro para ficar nesta unidade. O Estado ainda não se manifestou sobre o destino desses pacientes. Se ele não fizer a hemodiálise ele vai morrer. Por ele ser criança e já ter problemas de pressão alta, água no pulmão, bexiga heterogênica, a situação dele é bem grave”, disse Selma Pereira, 32.

Pacientes informaram ainda que, além da redução na sessão de hemodiálise, os hospitais e clinicas estão enfrentando a falta de materiais básicos para realizar os procedimentos médicos. Na ocasião, foi dito que as clínicas particulares devem começar, pelos próximos dias, a reencaminhar os pacientes para os hospitais públicos da capital.

“Soubemos que seremos encaminhados ao hospital Adriano Jorge, mas a direção já informou que a unidade não tem suporte para tal demanda. O 28 de Agosto também não suporta esse tipo de tratamento. Lá se faz o básico, que é uma sessão por semana, em caso de emergência. As clínicas estão pedindo para corremos atrás da garantia do tratamento, indo até o Ministério Público denunciar a situação. Mas sabemos que o tratamento é um direito nosso”, salientou o paciente Haroldo Oliveira.

Jander da Silva Ferreira, 43, relatou também, que esse problema vem ocorrendo desde do início do ano, e já provocou cerca de 78 mortes de pacientes em tratamento no hospital 28 de Agosto, segundo levantamento feito pela Associação dos Renais Crônicos.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde (Susam) esclareceu que não procede a informação de que o governo deixou de efetuar o pagamento dos serviços de hemodiálise realizados na Clínica Renal de Manaus e no Hospital Santa Júlia. “O recurso é repassado pelo governo Federal aos cofres do Estado e o pagamento está em dia. A Susam ressalta que os pacientes atendidos nas clínicas mencionadas estão realizando o tratamento normalmente e que não houve qualquer interrupção dos serviços”.

A Susam explica ainda que a Clínica Renal de Manaus enviou comunicado ao órgão no mês de junho afirmando não ter interesse em renovar o contrato para o atendimento a pacientes renais crônicos em tratamento de hemodiálise. O contrato se encerrará no dia 18 de outubro e, até lá, a clínica conveniada continuará a atender normalmente os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Secretaria frisa que está em negociação com a direção da clínica, mas caso a decisão de não renovar o contrato se mantenha os pacientes serão remanejados para outros serviços da rede, inclusive para a Fundação Hospital Adriano Jorge, que tem capacidade para absorvê-los.

Por Gerson Freitas

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