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Outra vez o turismo

Escritor e empresário

Luiz Lauschner
Escritor
e empresário

Quando a crise se instala no Brasil e o Polo Industrial de Manaus (PIM)reduz seu nível de emprego de cento e quarenta para cem mil trabalhadores, os governos locais começam a achar atraente a busca da vocação natural da Amazônia: O Turismo. O ideal seria lembrar disso em tempos de vacas gordas, até porque o turismo é uma atividade que demora a dar resultado. Antes tarde que nunca. A pujança do PIM e o dinheiro que jorra dele para os cofres públicos sempre relegou as outras atividades para segundo ou terceiro plano.

Nem o governo do estado, nem a prefeitura de Manaus deram muito valor ao turismo até agora. A Empresa Amazonense de Turismo, com sua diretoria vitalícia, conseguiu construir um Centro de Convenções e outras conquistas sequer são percebidas pela população.

Recentemente em um discurso, o prefeito de Manaus, Arthur Neto, citou como exemplo de turismo lubrificado a vizinha Costa Rica. Há sete anos eu chamava a atenção para este pequeno país – que cabe trinta vezes no estado do Amazonas, mas recebe a metade dos visitantes do Brasil todo – num artigo chamado “Quando 10 valem mais que 100”. Para sermos justos,poderíamos também falar da Jamaica, Aruba e República Dominicana cuja maior renda vem dos turistas. Essa visão do prefeito talvez acene para uma maior atenção ao setor que hoje é apenas um apêndice da Secretaria de Cultura e se limita a promover alguns eventos isolados voltado para os habitantes locais.

O turismo religioso, que ainda é o maior nicho no mundo todo, e que no Amazonas tem nos municípios de Borba e Itapiranga a maior concentração não parecem ter apoio oficial, talvez por pudor religioso – vergonha de explorar comercialmente a fé – talvez por incompatibilidade de crença – as festas são católicas e a administração de turismo é evangélica. A festa do boi bumbá, de longe a maior concentração de turistas fora de Manaus, hoje faz com que Parintins se favoreça dos respingos dela durante o ano todo e não apenas no auge que que acontece no mês de junho.

Se formos falar de natureza, da oportunidade única no mundo de navegar em copas de árvores na cheia, das trilhas na selva, das cachoeiras, dos pássaros, dos peixes e dos animais silvestres, das frutas temos um cardápio exclusivo que pode ser guarnecido das festas típicas, sejam elas religiosas ou de outro folclore. Ainda existem pessoas que sonham, sem devaneios, como o Embaixador Humanitário da Paz Walter Luiz da Costa Leite, com uma super rodovia para o turismo ligando Manaus a Porto Velho. Por que não?

Alguns jogos olímpicos serão realizados em Manaus em 2016. Desde agora a cidade começa a ser foco da imprensa internacional. Contudo, estes eventos costumam trazer em seu bojo elevação das tarifas aéreas, aumento nos preços dos hotéis e outros itens, que afastam o turista tradicional neste período. Informações da Associação dos Operadores de Barcos de Turismo dão conta que houve uma diminuição no fluxo de turistas durante a Copa, por este motivo. Não são fatores apenas locais.

Há muito se fala em transformar o Aeroporto Internacional de Manaus em um Hub – centro de operação de voos comerciais – mas, afora a melhoria geral do aeroporto para a Copa de 2014, não houve outro fato concreto, como a redução do imposto sobre os combustíveis, para tornar a parada no aeroporto mais atrativa.

Enfim: Turismo se faz com a participação pública e privada. O planejamento deve ser feito em conjunto.

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