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Os erros sempre são mais lembrados

Quando falamos em futebol da seleção brasileira, a primeira coisa que nos vem à lembrança é a partida contra a Alemanha por sete a um. É algo inato: lembramos sempre mais dos momentos de dificuldade, de doença do que dos momentos felizes. Seria isso  parte da busca da perfeição ou apenas carência afetiva de aumentarmos a desgraça para atrair compaixão de outros?

Famílias exemplares têm em seu histórico fatos abomináveis. O mesmo acontece com instituições e países. Não precisamos falar da escravidão negra que foi uma mancha na história do Brasil, Estados Unidos e outros países. Nações inteiras foram e continuam sendo dominadas, para não ficarmos apenas no passado.

Falando em Alemanha, que jamais participou do comércio de escravos e que é referência na música mundial com os gênios como Beethoven, Bach e Mozart; na filosofia com Nietsche, Schopenhauer, Marx e outros; na religião com Martinho Lutero; Na literatura com Goethe, Schiller, Karl May para citar apenas alguns; Na indústria com Diesel, Daymler, Krupp; na ciência com Roentgen, Einstein, Von Braun; Na história com Waldseemüller que criou o nome “América” para o continente americano. Contudo, sempre é lembrada pela intolerância racial do período nazista. Uma época curta, mas muito grave que os alemães prazerosamente tirariam da história.

A época nazista está aí para gritar exemplos do que não devemos fazer em termos de liderança política. Adolf Hitler surgiu quando escasseavam líderes capazes de reerguer a nação alemã exaurida pela primeira grande guerra e os acordos para por fim a ela. Apareceu como salvador, primeiramente como líder de massas e depois, como ditador que manteve a Alemanha imobilizada entremeando discursos estimulantes com sentenças de morte por corte marcial ou execução sumária aos comandantes que se atrevessem a pensar ou a contestar as ordens do Herr Führer. Hoje podemos contestar números, grau maior ou menor de responsabilidade dos comandados, mas não podemos permitir jamais que outros loucos se criem sob a bandeira da discriminação via exaltação da superioridade por fazer parte de um “povo escolhido”.

Contudo, os erros devem servir para aprendermos, não para se tornar uma referência. Referência é para o que é bom. Não podemos sepultar a história do futebol brasileiro por um erro, grave e breve, da Copa do Mundo de 2014. Sofrer derrotas em competições faz parte do jogo, uma vez que o objetivo de quem joga é infligir a derrota ao adversário. Quando não consegue, precisa rever conceitos, parcerias. O próprio técnico Luiz Felipe Scolari caiu no ostracismo depois da derrota para a Alemanha, como todo seu passado como técnico treinador não valesse nada.

Agora está começando a campanha política. Preparemo-nos para ver candidatos apontando seus dedos cheios de lama ressaltando erros de outros. A pergunta que vai permanecer é essa: Apontar ou lembrar erros ajuda a construir algo de bom?

Luiz Lauschner
Escritor, empresário

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