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Oposição aponta participação da Rússia no conflito da Ucrânia

Ativistas de oposição ao governo russo de Vladimir Putin apresentaram nesta terça-feira (12) um relatório de 65 páginas no qual apontam que a Rússia gastou mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 3 bilhões) em apoio aos rebeldes separatistas no Leste da Ucrânia.

O documento, que era o último projeto do ex-vice-primeiro-ministro Boris Nemtsov antes de ele ser assassinado em fevereiro, mostra que pelo menos 220 soldados russos foram mortos na região, contradizendo a alegação do Kremlin de que não tem envolvimento no conflito.

Nemtsov, que fazia ferrenha oposição ao governo russo, foi assassinado no dia 27 de fevereiro enquanto caminhava por uma ponte nas proximidades da Praça Vermelha, no centro de Moscou. Antes de sua morte, ele trabalhava no relatório usando informações de fontes abertas e entrevistas com famílias de soldados mortos no conflito. O ativista morreu antes de divulgar o documento, que foi concluído e publicado por amigos e companheiros de partido.

“Reunimos e classificamos amplas evidências da presença de forças armadas russas no território da Ucrânia e da presença de grupos de mercenários recrutados, financiados e enviados pela Rússia para o território ucraniano, a fim de tomar parte nas ações militares contra as autoridades oficiais”, informou o ativista de oposição Ilya Yashin, que era amigo de Nemtsov.

Para Yashin, a guerra da Ucrânia representa um crime contra a nação russa. “Nós pagamos a guerra com as vidas de nossos cidadãos, pagamos com a crise econômica, pagamos com o isolamento político. Não há nação mais próxima da Ucrânia que nós, e isso não é exagero, não é emoção; os ucranianos são nossos irmãos. [Vladimir] Putin vai ficar para a história como o presidente que fez russos e ucranianos se tornarem inimigos”, disse.

O porta-voz do Kremlin não quis comentar o relatório. O conflito entre separatistas e o exército da Ucrânia começou em abril do ano passado. Mais de 6,1 mil pessoas morreram em decorrência da luta armada. A Rússia, acusada de apoiar e financiar os rebeldes nega, desde o início, envolvimento no caso.

Por Folha Press

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