barra portal

Classificados

emprego botao
imoveis botao
Classitempo anuncie grátis

Francisco ou Putin

Diretor Executivo do Amazonas  EM TEMPO

 

Há escolhas que, de tão difíceis e dramáticas, se constituem em verdadeiras torturas que, mesmo depois de realizadas, continuam a atormentar àquele a quem foram postas, pois que nunca saberá se a decisão tomada foi a melhor, a mais justa, a mais ética, mais adequada.


Lembro-me de um filme que assisti faz muitos anos e que concretizou uma dessas situações em que ninguém gostaria de se ver. Seu título, “A Escolha de Sofia”, pautado no romance homônimo de William Styron, tem como mais trágico momento o instante em que a Sofia é exigido que escolhesse qual dos seus dois filhos deveria ser mandado à câmara de gás e qual deveria ser poupado. Sua angústia, no filme, dura cerca de um minuto, até que o oficial manda que levem as duas crianças e Sofia escolhe salvar ao menos uma delas e entrega a garotinha ao carrasco.


Quem viu o filme ou leu o livro jamais esquecerá essa situação, e a expressão “escolha de Sofia” passou a ser emblemática em vários idiomas. Na frieza da Lógica uma situação como essa é designada como “dilema” e sempre traz em si uma considerável tensão.


No insuperável “Dom Quixote de La Mancha”, há um momento em que o “Cavaleiro da Triste Figura” e seu sempre escudeiro Sancho Panza são encurralados por salteadores, quando atravessavam uma ponte e estes lhes propõem também um dilema: “Digam uma verdade inquestionável ou mataremos a ambos”. Se não me falha a memória, é Sancho, que sempre carrega consigo o bom senso e mantém os pés no chão, quem responde: “Vocês vão nos matar”. Eis o dilema posto. Se matassem, teria sido dita a verdade e, portanto, não deveriam morrer. Se não matassem, teria sido dita uma mentira e por isso deveriam morrer. Diante do incômodo da situação, nada restou aos bandidos, senão abandonarem a empreitada.


Dentre as habituais “pegadinhas” que tanto agradavam aos gregos antigos, há a famosa proposição que reza: “Epiménides, cretense, disse: todos os cretenses mentem”. Ora, se verdade, como Epiménides era também cretense, então todos os cretenses não seriam mentirosos; se mentira, então a verdade seria que os cretenses não mentem e, portanto, Epiménides, ao mentir, teria dito a verdade.


Como se vê, os dilemas existem, são incomodativos e envolvem situações de difícil solução, mas, felizmente, nem sempre as escolhas são desse tipo. Pelo contrário, com certeza a imensa maioria das decisões é como a balança da justiça, que sempre pende para um dos lados, mercê dos méritos que geralmente não se equivalem e superam uns aos outros em razão dos seus pesos intrínsecos.


Exemplo maior do acima dito está nos noticiários de alguns jornais, que vêm de divulgar que estão ora propondo à Academia de Ciências da Suécia, referentemente ao Nobel da Paz, os nomes do papa Francisco e do presidente Vladimir Putin, da Rússia. Nada mais perspícuo quanto o antagonismo dessas duas figuras.


Francisco busca a emulação do “poverello”, o Santo de Assis, que se notabilizou pela mansidão, pelo amor que espalhou no mundo em que viveu. Putin, certamente tem como modelo alguém como Átila ou outro guerreiro emérito, conforme se vê no seu autoritarismo militarista. Autêntico Senhor da Guerra. Se a paz é o paradigma, nunca terá sido tão fácil fazer essa escolha. Pelo menos enquanto não entrar na disputa o próprio Francisco de Assis.

Pesquisar no site

Rádio EM TEMPO

Videorreportagem Agora

Entrevistas

Articulistas

dia-da-terra   Os últimos acontecimentos nos têm feito refletir sobre a nossa postura diante do desequilíbrio...
por Augusto Bernardo Cecílio
cada-vez-menos-indígenas   No último dia 19 de abril, amanhecemos um pouco menos “indígenas” do que éramos em 1943,...
por Fabio Candotti

Facebook

Charge do dia

charge-do-dia-23-de-abril-de-2014

publicidade

julio sumiu
Our website is protected by DMC Firewall!