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Do relativismo ético

João Bosco Araújo - Diretor Executivo do Amazonas EM TEMPO
 
Como construir, aceitar e incorporar à vida do homem e da sociedade por ele engendrada uma moral que se fundamente numa ética relativista, ou seja, que estabeleça a priori que seus princípios, seus critérios e os valores em que se fundamente sejam, desde o início, tidos e postos como relativos.
 
Que podem, portanto, ora valer e ora não valer, ora viger e ora não viger, conforme se alterem as condições socioculturais da ambiência em que venham a se produzir.

Do ponto de vista filosófico, aí já se encontra uma nítida contradição, pois não há como saber, segundo sua própria tese, quando seus fundamentos devem ser considerados validados pela relatividade cultural ou por ela mesma desvalidados.

Afinal, seria viável construir um corpo doutrinário, por essência normativo e, ao mesmo tempo, estabelecer sua relatividade, isto é, afirmar que sua validade ocorrerá ou não, conforme se deem ou não se deem certas condições determinadas pelo “hic et nunc”, o aqui e agora circunstanciais do espaço e do tempo?

A importância e a relevância do tema me vieram à cabeça após a leitura da interessante entrevista do pensador inglês Jonathan Sacks veiculada recentemente na “Veja”.
 
Sacks, que além de filósofo é rabino, considera como duas as raízes da atual civilização ocidental: o judaísmo, que também engendrou o cristianismo e a cultura helênica, especificamente ateniense, fonte do nosso pensamento filosófico.

Segundo esse filósofo, a moral que se estabeleceu na nossa cultura, ou o que ainda resta dela, tem raiz na Bíblia, o livro santo dos judeus e também dos cristãos, enquanto o relativismo ético, que cada vez mais se expande no ocidente, seria uma herança da civilização grega.

Neste ponto o pensador inglês seria questionável. Melhor seria dizer que, enquanto a moral judaica tem fundamentos na transcendência da religião hebraica, a ética herdada dos gregos apoia-se na reflexão filosófica e acaba por se constituir numa moral humanística.
 
Nem por isso justifica-se debitar aos helênicos o relativismo ético que atualmente ameaça as mais importantes instituições das nossas sociedades. Melhor seria considerar como responsável o crescente antropocentrismo que se estabeleceu e que tem como maior consequência o exagero da importância, do valor e das prerrogativas do ser humano, como se ele mesmo fosse absoluto.

Seja como for, ou como tiver sido, o relativismo ético pretende outorgar ao ser humano o direito e o poder de estabelecer o que se deva considerar ora como moral, ora como imoral. Sabemos que nenhuma nação se consolida e se mantém, se não tiver como substrato um pacto social acordado, o qual, quando escrito, costuma tomar o nome de Constituição e, quando apenas conveniado pela tradição, designa-se como Instituto Consuetudinário.

Quando, no plano moral, não se institui um código de valores compartilhado por todos, o que vai inevitavelmente ocorrer é o enfraquecimento dos relacionamentos humanos, onde primeiramente tende a se dar a dissolução da família.

Casamento, fidelidade intrafamiliar, linha educacional dos filhos, hierarquia e autoridade passam a ser liberados para que cada um estabeleça como lhe parecer melhor. Aí o aborto, o descompromisso com os idosos, os relacionamentos sucessivos e promíscuos, podem parecer legítimos, apoiados nos “direitos e nas liberdades individuais”.

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