

Qualquer pessoa dotada de razoável bom senso, quando faz uma bobagem, ou uma burrice, para, reflete, reconhece e cuida para evitar uma recidiva, pois, como diz o nosso prefeito Arthur Virgílio, todo mundo tem direito a um dia de leso durante o ano. Entretanto, complementa o alcaide, alguns há que se julgam no direito de exercer plenamente a leseira em todos os dias do ano.

Como se não bastasse ter falado que os juízes brasileiros são pró-impunidade, ter mandado um jornalista chafurdar no lixo e ter sugerido que entre juízes e advogados haveria um “conluio” para a corrupção, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, aprontou mais uma. Na última semana, Barbosa recebeu os representantes de classe da magistratura em uma reunião no STF e destilou grosserias a quem estivesse por perto.

A nova lei da empregada doméstica parece não levar em conta a realidade brasileira. Assegurar direitos ao trabalhador no Brasil é uma mania que entope a chamada Justiça do Trabalha, atrapalha o empregador, estimula a rotatividade do emprego e impede que o trabalhador empregado seja bem remunerado. Mais do que assegurar direitos, promove o antagonismo entre o trabalhador que emprega e o que é empregado. A realidade e as particularidades não vêm ao caso.

O Tribunal Superior Eleitoral tocou de leve, mas não foi ao cerne do problema da representatividade quando decidiu redistribuir as vagas de deputados na Câmara, alterando as bancadas de 13 dos 27 Estados. E qual é a questão de fundo? A absoluta desproporcionalidade que existe hoje e faz, por exemplo, São Paulo ter um deputado para cada 585 mil habitantes e, no outro extremo, Roraima contar com um representante para cada 51 mil habitantes. Pela Constituição, há o “piso” de oito e o “teto” de 70 deputados por unidade da federação.

Ainda estudante conheci Arlindo Porto no Rio. Morava no modesto Hotel Nelba, na Senador Dantas. Depois nos aproximamos na campanha de 1982 e fomos os únicos a protestar contra bárbara matança de caititus (porcos do mato) no Alto Rio Negro. Arlindo é admirável e não se precisa ir além.

Com todo respeito que as maneiras do ministro Joaquim Barbosa não fazem por merecer, o presidente do Supremo Tribunal Federal está confundindo assertividade com grosseria. Para usar um lugar comum: autoridade com autoritarismo. Acerta quando lança à luz mazelas do Judiciário: lobby junto a políticos para obter promoções, conluios entre advogados e juízes, patrocínios indevidos a viagens e encontros de magistrados, excessos em gastos, corporativismo, exorbitâncias sabidas e presumidas que a ministra Eliana Calmon quando corregedora do Conselho Nacional de Justiça já começara a denunciar publicamente com a rubrica “bandidos de toga”.

Lendo o artigo do professor João Bosco Araújo, nas páginas aqui do EM TEMPO de domingo, em que versa com muita propriedade e invejável capacidade sobre o bombardeio midiático dos 50 anos da apresentadora Xuxa, resolvi também dar meu pitaco sobre essa festança da apresentadora sem talento. Como o professor, também não fui convidado para o aniversário, e se o fosse me complicaria por causa de dois problemas, quase insolucionáveis.
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