Política

Operador da Lava Jato diz que brechas permitiram lavagem de dinheiro

Um dos delatores da Operação Lava Jato, Luccas Pace Júnior, que trabalhou para a doleira Nelma Kodama, disse nesta quinta-feira (13) à CPI da Petrobras que brechas do sistema financeiro permitiram os casos de lavagem de dinheiro detectados nas investigações.

Segundo ele, as corretoras de câmbio não cumpriam suas obrigações de verificar se empresas que contratavam operações de importação existiam realmente. Eram realizadas importações fictícias por empresas de fachada para a lavagem de dinheiro.

“É muito estranho que não tenha controle sobre isso. Que uma empresa possa pegar US$ 200 mil, US$ 300 mil por dia e nunca chegue uma mercadoria”, afirmou.

A doleira Kodama, atualmente presa na Lava Jato, já tinha apontado falhas no sistema e chamou-o de “avacalhado”.

Pace deu a opinião de que existem “brechas propositais” no sistema financeiro, que transfere responsabilidades às operadoras de câmbio.

“Teria que ser feito um trabalho técnico e fechar essas portas. Todas corretoras que a gente operou não fizeram o trabalho de casa”, declarou.

Mais cedo nesta quinta, o diretor de fiscalização do Banco Central, Anthero Meirelles, afirmou não considerar que o sistema tenha falhado porque o BC detectou as movimentações suspeitas da Operação Lava Jato.

“Todas as instituições citadas na operação [Lava Jato] estão sob investigação. Além disso, todas que operaram com as empresas também citadas na Lava Jato estão sendo investigadas pelo Banco Central. Em várias delas a gente já encontrou indícios, já originaram processos administrativos e denúncias aos órgãos persecutores”, disse Anthero.

 

Por Folhapress

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