Dia a dia

Operação ‘Maus Caminhos’ investiga desvios de R$ 112 milhões na saúde do Amazonas

Os investigados e os matérias aprendidos estão sendo levados pelos policiais federais para a sede da PF, no bairro Dom Pedro - foto: Gerson Freitas

Os investigados e os matérias aprendidos estão sendo levados pelos policiais federais para a sede da PF, no bairro Dom Pedro – foto: Gerson Freitas

Deflagrada na manhã desta terça-feira (20) pela Polícia e outros órgãos, a operação ‘Maus Caminhos’ investiga uma organização criminosa especializada no desvio de recursos públicos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas. Os prejuízos chegam a R$ 112 milhões.

A ação, iniciada nas primeiras horas da manhã, conta com o apoio da Controladoria Geral da União (CGU), Ministério Público Federal e da Receita Federal. Estão sendo cumpridos 13 mandados de prisão preventiva, quatro mandados de prisão temporária, três conduções coercitivas, 41 mandados de busca e apreensão, 24 mandados de bloqueios de contas de pessoas físicas e jurídicas (aproximadamente R$ 30 milhões) e 31 mandados de sequestro de bens móveis e imóveis (aproximadamente R$ 50 milhões), todos expedidos pela Justiça Federal do Amazonas.

A operação está sendo executada nos Estados do Amazonas, São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal, por 185 policiais federais, 35 servidores da CGU e 50 servidores da Receita Federal.

Licitações irregulares
A organização investigada utilizava uma entidade social sem em fins lucrativos identificada como Instituto Novos Caminhos (INC) para fugir dos procedimentos licitatórios regulares e permitir a contratação direta de empresas prestadoras de serviços de saúde.

De abril de 2014 a dezembro de 2015, a entidade recebeu mais de R$ 220 milhões para administrar a Unidades de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales, em Manaus, Centro de Reabilitação em Dependência Química – CRDQ, em Rio Preto da Eva, e a UPA 24 Horas e Maternidade Enfermeira Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga.

No entanto, em auditoria inicial realizada pela CGU, surgiram indícios de que o INC contratava as empresas Salvare Serviços Médicos Ltda., Sociedade Integrada Médica do Amazonas Ltda (Simea) e Total Saúde Serviços Médicos e Enfermagem Ltda. para desviar significativa parcelas desses recursos. Todas comandadas direta ou indiretamente pelo médico e empresário Mouhamad Moustafa.

No curso das investigações, ficou constado que o INC funcionava nas mesmas instalações das empresas contratadas, deixando claro que todas pertenciam ao grupo criminoso.  As investigações também demonstraram que os serviços, na prática, eram praticados com valores muito superiores aos de mercado, existindo casos de pagamentos em duplicidade e de serviços pagos que sequer foram prestados.

Uma das fraudes contatadas foi na aquisição do sistema de gestão hospitalar, oportunidade na qual o INC pagou a uma das empresas do grupo criminoso o valor de R$ 1.262.170,35 por um serviço que poderia ser adquirido pelo estado pelo valor real de R$ 318.760,00 (valor cobrado pela empresa desenvolvedora do sistema), superfaturamento de quase 400%.

Até o momento, montante desviado ilegalmente supera 112 milhões de reais. O dinheiro desviado da saúde proporcionava aos alvos investigados uma vida de ostentação, que possibilitava a aquisição de bens móveis e imóveis de alto padrão, como mansões, veículos importados de luxo e até mesmo um avião a jato e um helicóptero, que serão apreendidos e/ou sequestrados ao longo do dia.

Os investigados responderão pela prática dos crimes de organização criminosa, falsidade ideológica, peculato, fraude licitatória e lavagem de capitais.

Com informações das assessorias

1 Comment

1 Comment

  1. SOCORRO FERNANDES

    20 de setembro de 2016 at 11:48

    Parabéns à Policia Federal pelos serviços prestados em favor da Ordem e Progresso do nosso País – Brasíl.

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