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Operação da PF prende 19 pessoas envolvidas com fraude de documentos da Marinha

Segundo o superintendente regional da PF-AM, Marcelo Sálvio Rezende Vieira, a associação formada por militares, despachantes e responsáveis por embarcações, estava sendo investigada desde o ano passado - foto: Ione Moreno

Segundo o superintendente regional da PF-AM, Marcelo Sálvio Rezende Vieira, a associação formada por militares, despachantes e responsáveis por embarcações, estava sendo investigada desde o ano passado – foto: Ione Moreno

Ao todo, 19 pessoas foram presas pela Polícia Federal do Amazonas  (PF-AM) durante a operação ‘Inocentes’, deflagrada na manhã desta terça-feira (12), para desarticular grupo que fraudava documentos da Marinha do Brasil (MB). O cumprimento dos mandados de prisão preventiva de busca e apreensão e condução coercitiva aconteceu simultaneamente em Itacoatiara, Rio de Janeiro e na capital amazonense. Oito militares estavam envolvidos no esquema.

Segundo o superintendente regional da PF-AM, Marcelo Sálvio Rezende Vieira, a associação formada por militares, despachantes e responsáveis por embarcações, estava sendo investigada desde o ano passado, após denúncias da própria Marinha, que identificou várias Carteiras de Inscrição e Registros (CIR) – habilitação aquaviária – falsas.

“A partir da falsificação desse documento, identificamos que eles também falsificavam outros como os das embarcações, além de certificados de conclusão de ensino médio. Os despachantes cobravam de R$ 600 a 1.200 por documentação e davam até desconto. Aqui em Manaus, foram presos 16 despachantes. Existem inquéritos, inclusive alguns de 2001 que envolvem esses despachantes presos hoje”, contou Vieira, acrescentando que o inquérito que originou a operação tinha mais de 80 carteiras falsas.

Conforme Vieira, o envolvimento dos militares se dava no momento no despacho das embarcações na Capitania dos Portos e também nas fiscalizações de rotina nos rios. Já os despachantes, atuavam como intermediários entre os donos de barcos.

“Para a embarcação sair para o rio, precisa ter a carteira, que integra o despacho. Quando a carteira é falsa e dá entrada na capitania, quem está lá dentro tem acesso ao protocolo. Com as investigações, conseguimos comprovar a formação de uma teia criminosa desde o despacho até a fiscalização dela no rio. Há um acorde entre despachantes, alguns militares e responsáveis pelas embarcações”, informou o superintendente da PF.

O delegado regional de Combate ao Crime Organizado (DRCOR), Franco Perazzoni, as investigações se voltaram para a existência do grupo que além de falsificar documentos, também cometia os crimes de tráfico de influência, organização criminosa e corrupção ativa e passiva.

“A princípio, os militares da Marinha identificaram essas cadernetas falsas e passaram para nós para a apuração e identificamos uma série de semelhanças. Durante o interrogatório dos que se utilizaram das carteiras e chegamos aos fornecedores. A partir desses inquéritos menores, direcionados ao uso do documento falso, a gente abriu a investigação contra uma organização”, disse o delegado federal.

De acordo com Perazzoni, as cadernetas de habilitação são verdadeiras, e passariam despercebidas, se não fossem erros grosseiros de palavras da língua inglesa, selos alterados e inscrições no documento.

“Para quem entende e tem conhecimento das carteiras, alguém que tem contato direto com o documento, são falsificações que beiram o grosseiro. Essas inscrições para quem tem um pouco mais de conhecimento são fáceis de identificar”, contou o delegado.

A pedido da Polícia Federal, oito embarcações tiveram as licenças suspensas e também houve o sequestro de bens e valores dos envolvidos no esquema, o que foi avaliado em aproximadamente R$ 2,4 milhões. Em Manaus, 17 pessoas foram presas, um militar foi detido no Rio de Janeiro e um suspeito teve condução coercitiva em Itacoatira (a 270 quilômetros da capital).

A operação foi denominada ‘Inocentes’, devido a maioria dos escritórios de despacho de embarcações estarem situadas na rua Frei José dos Inocentes, no Centro Histórico.

Por Cecília Siqueira (especial EM TEMPO Online)

 

 

 

 

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