Dia a dia

ONG’s, produtores rurais e pesquisadores debatem sobre restauração florestal em Apuí, no AM

Queimada-Reprod

Dados da Semmas dão conta de que 38% do desmatamento no Estado, de 2004 a 2008, ocorreu na região Sul – foto: reprodução

Como restaurar as áreas degradadas existentes no sul do Amazonas? Como fazer com que as florestas da cidade de Apuí (a 408 quilômetros de Manaus) possam ser recuperadas, promovendo a conservação ambiental e mantendo a produtividade dos produtores rurais? Essas foram algumas das perguntas norteadoras do 2º Seminário sobre Modelos de Restauração Florestal de Apuí. O evento, realizado este mês pelo WWF-Brasil com o apoio de diversas instituições parceiras, reuniu, aproximadamente, 60 pessoas, entre produtores rurais, extensionistas, pesquisadores, representantes de organizações governamentais, institutos e associações.


De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), entre 2008 e 2014, em torno de 38%, do desmatamento ocorrido no Estado aconteceu no sul do Amazonas, daí a importância de se discutir como recuperar o grande passivo ambiental existente na região. Além disso, conforme o Código Florestal (lei 12.651/2012), todos os produtores rurais do país terão que restaurar as áreas desflorestadas que tenham em suas propriedades.

Adubação verde

Durante o seminário, técnicos do Instituto de Conservação e Desenvolvimento sustentável do Amazonas (Idesam) apresentaram um estudo mostrando quais são os métodos mais promissores para recuperar as florestas degradadas de Apuí.

O estudo apontou para o método de “adubação verde” uma das maneiras mais interessantes para iniciar o trabalho, por permitir uma recuperação, o mais natural possível, do solo apuiense, bastante castigado pelas atividades pecuárias da região. Neste método, a restauração é realizada em regime de sucessão – ou seja, de modo que os plantios e colheitas sejam feitos em períodos de tempo intercalados e progressivos.

Essa “troca” de espécies melhora as características químicas, físicas e biológicas dos solos, recuperando aqueles que estão degradados e enchendo de nutrientes os solos mais pobres. Ela ajuda a recuperar a matéria orgânica do solo e o reestabelecimento da cobertura florestal.

Práticas sustentáveis

Para o produtor rural Joaquim Souza Alencar, 66, o seminário foi muito importante porque lhe permitiu perceber que algumas de suas práticas agrícolas não são sustentáveis. “Planto banana, mandioca, milho, arroz e feijão. Procuro trabalhar pouco, produzir muito e conservar minha propriedade. Esses eventos são bons para conhecer coisas novas, ver onde estou errando e corrigir algumas coisas que eu faço na minha terra”, afirmou o proprietário da fazenda ‘Alegria’, uma área de 320 hectares, situada no quilômetro 104 da BR-230 (Transamazônica).

A analista de conservação do Programa Amazônia, Lorenza Cordeiro, afirmou que o evento buscou levar ao público informações técnicas e econômicas sobre modelos de restauração florestal adaptados à cidade de Apuí. “Também quisemos oferecer, aos órgãos públicos, elementos para melhorar as discussões sobre políticas de regularização ambiental do Amazonas”, explicou.

De acordo com a chefe do departamento de gestão territorial e ambiental da Sema, Neila Cavalcante da Silva, o seminário foi muito importante porque trouxe ideias e insights que servirão para melhorar as políticas ambientais do Estado. “O arcabouço jurídico ambiental do Amazonas está passando por um amplo processo de revisão.

Muitas de nossas leis estão defasadas e precisam ser atualizadas e revistas. Este tipo de evento é importante porque traz sugestões de melhorias, reúne experiências da própria região e ajuda no aperfeiçoamento das nossas leis”, disse a coordenadora.

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