Dia a dia

ONG em Manaus devolve sorriso a várias crianças carentes

Adriana Manzoli conta que o projeto já atendeu mais de mil pacientes carentes em Manaus, restabelecendo o sorriso de jovens que muitas vezes não abriam a boca por vergonha dos dentes– foto: Marcio Melo

Adriana Manzoli conta que o projeto já atendeu mais de mil pacientes carentes em Manaus, restabelecendo o sorriso de jovens que muitas vezes não abriam a boca por vergonha dos dentes– foto: Marcio Melo

O sorriso tímido, antes escondido atrás das mãos, vai evoluindo até transformar-se em uma sonora gargalhada. O dono desse riso fácil é um menino de 14 anos, identificado apenas como “Alex”, que resgatou a autoestima ao iniciar o tratamento odontológico pelas mãos solidárias de um grupo de dentistas voluntários do projeto Turma do Bem (TDB). O adolescente “Alex” possuía 19 cáries e alguns dentes com a coroa completamente destruída. “Antes eu não podia dar risadas, tinha vergonha de falar”, declara ele em um documentário registrado pelo projeto.

Criado em 1995, pelo cirurgião-dentista Fábio Bibancos, o TDB iniciou em São Paulo, com apenas 15 dentistas, cresceu e hoje se tornou a maior rede de voluntariado especializado do mundo. A Turma do Bem tem 16 mil cirurgiões-dentistas voluntários em diversos municípios dos 26 Estados brasileiros e do Distrito Federal. Também possui voluntários na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal e na Venezuela. Aproximadamente 43 mil sorrisos foram devolvidos à crianças e adolescentes no Brasil e no mundo.

No Amazonas, o projeto é coordenado há 3 anos pela cirurgiã-dentista Adriana Manzoli, que mesmo com a agenda lotada encontra tempo para fazer o bem. Ela seleciona as escolas mais carentes em Manaus, e com a autorização do gestor da unidade escolar realizar a triagem das crianças e adolescentes. “Já atendemos mais de mil crianças e adolescentes carente em Manaus. Nosso trabalho mais recente ocorreu em uma escola pública do bairro Terra Nova, (Zona Norte), onde 400 crianças e adolescentes passaram por uma triagem. Aqueles que se enquadrarem no perfil do programa receberão atendimento gratuito”, informa.

Segundo Manzoli, o processo de triagem é bem simples e rápido. O dentista faz um exame visual não invasivo da condição odontológica e preenche uma ficha com dados sobre a saúde bucal do paciente e a condição socioeconômica da família. A seleção é feita por um índice de prioridade, beneficiando os mais pobres, os com problemas bucais mais graves e os mais velhos, que estão mais próximos do primeiro emprego.

“A gente seleciona crianças e adolescentes entre 11 e 17 anos que passam pela triagem. Os selecionados são encaminhados para dentistas voluntários, que farão todo o tratamento gratuitamente até que eles completem 18 anos, incluindo, se necessário, radiografias, ortodontia, próteses e implantes”, explica.

Bem-estar

A dentista conta que existem muitos casos de pessoas que deixam de abrir a boca, literalmente, por não se sentirem bem com a condição de seus dentes. Segunfo ela, é grande a parcelar da população, que não tem acesso aos tratamentos e aos programas de prevenção da saúde bucal.

“Escolhemos essa faixa etária porque com 11 anos a criança tem sua necessidade estética. Com 17 ela tem a necessidade do seu primeiro emprego. Nesse período ela tem a necessidade de se apresentar socialmente e uma criança que não consegue sorrir, porque não tem seus dentes, porque seus dentes estão cariados ou estão mal posicionados fica retraída e não se introduz na sociedade. Ela não conversa com seu amigo, não tira suas dúvidas com o professor, não vai namorar, porque ela tem vergonha”, comenta.

Em Manaus, a Turma do Bem possui 90 médicos parceiros, mas Mazoli destaca que há necessidade de mais profissionais envolvidos.

Por Michelle Freitas

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir