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ONG de Manaus oferece cirurgias gratuitas de fissura labiopalatina

Além de reduzir as filas pelas cirurgias de fissura labiopalatina, ONG recupera autoestima dos pacientes – foto: divulgação

Além de reduzir as filas pelas cirurgias de fissura labiopalatina, ONG recupera autoestima dos pacientes – foto: divulgação

Com o objetivo de reduzir as filas de espera para a realização das cirurgias de fissura labiopalatina e de resgatar a autoestima de pessoas vítimas dessa má-formação, a Organização Não-Governamental (ONG) Smile Train realiza nesta semana, a partir desta segunda-feira (10) até sexta-feira (14), a 2ª Campanha Nacional de Fissura Labiopalatina, na Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), no bairro Cachoeirinha, Zona Sul. O lançamento da campanha, que acontecerá nesta segunda-feira, às 8h, será seguida de uma triagem dos pacientes.

De acordo com o supervisor da campanha, no Amazonas, o cirurgião plástico Álvaro Sá, desde a chegada da ONG no Estado, em 2013, mais de 600 pessoas já foram beneficiadas de forma gratuita. “A Smile Train é americana, sediada em Nova York, e começou atuando primeiramente em cidades do interior, depois veio para a capital. Ao longo desse período, os pacientes fizeram acompanhamento com fonoaudiólogos e com ortodontistas especializados, para ajudar na retomada da fala e dos movimentos”, comenta.

O cirurgião plástico explica que a ideia de firmar essa parceria com a organização já era bastante antiga. “Sabemos o fascínio que a Amazônia exerce sobre as pessoas de fora. E eles sempre desejaram encontrar parceiros em Manaus. Inclusive, um dentista daqui já havia iniciado as conversas com a ONG. Nesse momento ainda morava em São Paulo, mas já estava planejando minha mudança para Manaus. Soube, ainda lá, que a Smile Train estava desejando entrar no Estado. Então, assim que cheguei, só demos andamento nas conversas e fechamos a parceria. Tudo aconteceu de maneira muito sincronizada”, destaca.

Triagem

Segundo ele, os pacientes interessados em participar da triagem devem se dirigir ao hospital Adriano Jorge, amanhã (10), a partir das 8h, portando documentação e acompanhados de pais ou responsáveis. Não é necessário estar de jejum. “Lá, eles serão avaliados, para definir se têm condições e estão na idade certa para operar. Caso positivo, já serão avaliados pelo anestesista e submetidos a exames de sangue e outros necessários. A partir dessa avaliação, definiremos a data da cirurgia de cada paciente”, explica.

As duas cirurgias principais são: queiloplastia e palatoplastia. “É claro que existe uma infinidade de outros procedimentos cirúrgicos, porém, estes correspondem à maioria do que é feito”, informa. A queiloplastia é a cirurgia que corrige o defeito no lábio. É uma intervenção pequena, com riscos mínimos e pouquíssimo dolorida no período pós-operatório.

Já a palatoplastia é uma cirurgia bem mais complexa, onde o intuito é não só fechar o defeito no palato, mas restabelecer o funcionamento da musculatura que está mal posicionada. “Em todas as crianças a anestesia utilizada é a geral. Em alguns pacientes adultos é possível realizar a queiloplastia com anestesia local, o que agiliza a recuperação”, declara.

Logo após acordar da anestesia, o paciente poderá se alimentar, porém, somente de alimentos líquidos e frios, como iogurtes, mingaus, sucos e sopas. Isso é muito importante para evitar forçar os pontos. Outro fator crucial para a boa recuperação, segundo o cirurgião, é manter uma boa limpeza do local operado. “O paciente recebe antibióticos e analgésicos para que a recuperação seja tranquila. De 15 a 30 dias ocorre o retorno às atividades normais”, adianta.

Ele revela também que o momento mais emocionante é o contato com os pais das crianças, logo após as cirurgias. “É um momento mágico. Às vezes existe um olhar de perplexidade, outras vezes um choro de alegria, mas sempre uma sensação de vitória. Cada oportunidade em que pude acompanhar esse momento se tornou inesquecível. Ao observar a reação e a gratidão dessas pessoas, me sinto abençoado. Realmente, é um privilégio enorme poder participar de um evento tão importante na vida delas”, pontua.

Norte detém os maiores índices

Sá ressalta que, apesar de não haver registros que atestem que a incidência seja maior no Amazonas, a má-formação é muito frequente em indígenas. “Portanto, é provável que a incidência seja um pouco maior do que em outros Estados, dada a grande quantidade de indígenas e descendentes, no Amazonas”.

Além disso, as fendas ou fissuras labiopalatinas têm múltiplas possíveis causas, que podem agir isoladamente ou em conjunto. Por isso são chamadas de multifatoriais. Algumas das causas principais são heranças genéticas, desnutrição da mãe e o uso de drogas e cigarro durante a gestação.

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