Esportes

Olimpíadas de Tóquio em 2020 ganharão novas modalidades

As próximas olimpíadas serão mais radicais, pois o skate, surfe, beisebol, escalada e karatê, serão as novas modalidades do torneio. A decisão foi apresentada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), na última quarta-feira (3), e alguns manauenses festejaram a inclusão dos esportes no maior evento esportivo do mundo.


No skate, os atletas veem a decisão do Comitê Olímpico Internacional como um ponto final no preconceito que o esporte já enfrentou por anos. A expectativa é que o reconhecimento como modalidade olímpica, possa mudar a visão de muitas pessoas, que ainda “torcem o pescoço” para modalidade.

Para o skatista Marcelo Fernandes “Cabecinha”, 33, além de uma atração radical durante os Jogos Olímpicos, esta é uma revolução na era do skate.
“Eu vejo tudo isto como uma grande revolução no meio radical, e o skate além de ser uma grande atração também irá mudar o pensamento das pessoas sobre a modalidade, que antes era vista como um esporte praticado por vagabundos. Sem contar o lado da inclusão, que irá trazer muitos benefícios para os atletas que viajam mundo a fora em busca de competições e premiações”, declarou.

O skatista José Monteiro, 39, tem o mesmo pensamento de Cabecinha e declara que mais que uma inclusão no meio esportivo, este também é um reconhecimento dos skatistas que viveram reclusos por anos, devido ao esporte ser visto com maus olhos por familiares dos praticantes e a sociedade em geral.

“Eu pratico skate desde 1989, e vim de uma época que não haviam pistas em Manaus. Nós (skatistas) que tínhamos que construir nossos obstáculos e pistas. Éramos vistos como malandros, e pessoas que não queriam nada com a vida, mas a paixão por este esporte nunca nos fez desistir. Sei que atualmente esta visão preconceituosa está mudando, mas ainda há muito o que ser feito, e esta decisão do Comitê Olímpico Internacional já é mais que um começo, é o andamento para o sonho de muitos”, afirmou José, que atualmente é atleta da categoria master.

Karatê

Já no karatê, Washington Melo que é presidente da Federação Amazonense de Karatê (FAK), visa os benefícios que irão surgir para os atletas locais, principalmente com os apoios com passagens e mantimentos nas competições.

“O karatê é a arte marcial mais praticada no mundo, e os benefícios que irão surgir após ela se tornar uma modalidade olímpica são muitos, pois agora passaremos um reconhecimento maior. Tenho 43 anos no karatê e fico muito feliz em ver esta página virada em nossa arte marcial”, declarou.

Washington ainda destacou que os relatos sobre o karatê se tornar uma modalidade olímpica existem por alguns anos, e que a notícia fez com que várias federações não reconhecidas pela Confederação Brasileira de Karatê (CBK), surgissem, tirando a oportunidade dos atletas federados de entrar nas disputas olímpicas.

“Estes locais foram criados com o objetivo de prejudicar os atletas federados, mas com a decisão do COI, também surgiu a obrigação de todos os lutadores que disputarem nas pré-olimpíadas, estarem vinculados com federações reconhecidas pela lei e pela CBK. No Amazonas por exemplo, só existe a FAK, portanto, eu indico a todos os atletas que desejarem competir, que estejam ligados a federações legais, pois caso contrário, estarão fora das competições”, declarou.
Outra modalidade que irá radicalizar os Jogos de Tóquio é a escalada, e a capital amazonense tem até um grupo nas redes sociais, nomeado como “Escalada Manaus”.

A jovem Jay Martins, de 28 anos, é uma das praticantes na cidade. De acordo com ela, em Manaus a modalidade é apenas uma atividade de lazer, e que se os atletas desejarem competir, precisam se deslocar a outros estados, pois não existem competições na cidade. Ela não nega a felicidade, e diz que o reconhecimento dado pelo comitê internacional, pode dar uma visibilidade maior ao esporte radical.

“Pratico escalada há 4 anos e nunca tivemos nenhuma competição em Manaus, chegaram a organizar algo numa academia local, mas em decorrência de um acidente no local, foi cancelada. Vejo esta oportunidade olímpica como um reconhecimento que nos dará maior visibilidade, pois até os eventos que temos aqui, são organizados por nós, os atletas”, declarou a jovem, que também disse estar muito feliz com a decisão.

Por Wal Lima

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