Cultura

Oficina socializa a arte da fotografia em comunidade indígena de Manaus

Os participantes entram em contato com fotografias feitas de forma artesanal, como por exemplo, a pinhole - foto: Ione Moreno

Os participantes entram em contato com fotografias feitas de forma artesanal, como por exemplo, a pinhole – foto: Ione Moreno

Um grupo de crianças e adultos indígenas da comunidade Wotchimaücü, localizada no bairro Cidade de Deus, Zona Leste de Manaus, recebe neste fim de semana a Oficina Popular de Práticas Fotográficas, contemplada pelo Edital Prêmio Manaus de Artes Visuais 2014. A oficina é ministrada pelo fotojornalista Diego Janatã e, como convidados, os integrantes do grupo A Escrita da Luz (AEL).

Dentre as atividades desenvolvidas estão conhecimento dos equipamentos, enquadramento, introdução ao fotojornalismo e documentário, além de pintura, reciclagem, exposição de fotos e mostra de vídeos e confecção de suporte pinhole. A atividade é uma contrapartida do edital de artes visuais da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).

O projeto foi aberto ontem, com o Hino Nacional Brasileiro em língua Tikuna, interpretado por Djuena Tikuna. Logo em seguida, os palestrantes foram apresentados e os comunitários foram introduzidos ao mundo da fotografia e a participação dos leitores na produção através do jornalismo diário, como por exemplo, através de aparelhos celulares.
De acordo com Diego Janatã, nos tempos modernos, onde todos utilizam redes sociais e têm acesso à tecnologia, é preciso aproveitar para garantir que a memória da comunidade seja perpetuada através das imagens. “Para além da fotografia, a oficina pretende ser uma ferramenta de auto estima e valorização da comunidade”, afirma.

Artesanais
Hoje, no segundo dia de oficinas, haverá a confecção das câmeras artesanais, contato com máquinas digitais com o grupo A Escrita da Luz e também confecção de molduras em papelão com a artista plástica We’ena Tikuna, que está radicada em São Paulo.

Segundo a subeditora de Fotografia do EM TEMPO e uma das fundadoras do AEL, Ione Moreno, o objetivo da oficina é atingir a todas as faixas etárias da comunidade e despertar a curiosidade em relação à fotografia, inclusive, as que são feitas de forma artesanal, como é o caso da pinhole, que é uma câmara confeccionada em caixas de papelão ou latas de leite com um pequeno furo.

“Começaremos pela prática. Vamos conhecer o local, reunir as crianças e também os adultos para poder confeccionar a caixa escura. Depois eles vão visualizar o que tem dentro dela. A partir daí, ao observar que as imagens estão invertidas, todos vão perguntar o motivo e nós entraremos com a teoria, explicando o princípio e a história da fotografia”, adianta Ione.

Retorno
A fotógrafa conta ainda que, com esse projeto, o grupo A Escrita da Luz retoma as atividades após um breve recesso. “Completaremos dez anos de existência em outubro deste ano, e este retorno é estratégico para o reinício das atividades do grupo. Vamos começar os projetos de 2016 com essa modalidade de oficina que é a cara do grupo”, diz.

Para o fotógrafo Alexandre Fonseca, um dos coordenadores do AEL, a oficina popular é uma das formas mais interessantes de socialização entre as pessoas e todos aprendem, tanto os fotógrafos quanto a comunidade atendida, criando uma ligação afetiva através da arte fotográfica em todos os lugares onde os projetos do grupo são realizados.

Por Cecília Siqueira

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