Cultura

Obra de dança da Bahia, ‘Tombé’ chega a Manaus

A peça se assume como um “stand up dance comedy”, estabelecendo diálogos muito efetivos entre o ambiente da arte e o público -

A peça se assume como um “stand up dance comedy”, estabelecendo diálogos muito efetivos entre o ambiente da arte e o público – foto: Alex Oliveira

Há mais de uma década circulando em cidades brasileiras, o espetáculo de dança “Tombé” embarca da Bahia para uma turnê no Norte do país. Manaus será encontrada nesta turnê, com apresentações de 22 a 24 de abril (sexta a domingo), às 20h, no Espaço das Cias.,com entrada gratuita.

A peça se assume como um “stand up dance comedy”, estabelecendo diálogos muito efetivos entre o ambiente da arte e o público, o que gera uma experiência do universo artístico com humor e senso crítico. A viagem antes inclui Palmas (TO) (9 e 10/4) e Cantá (RR) (18 a 20/4), e ainda seguirá para Rio Branco (AC) (27 e 28/4).

Proposta

Dirigida por Jorge Alencar, “Tombé” é uma obra interessada em refletir sobre a própria experiência artística, abarcando dimensões mais amplas das relações humanas: hierarquias, produções de discurso, disputas de poder, tensões sociais. Numa companhia de dança ficcional, a cena se constrói entre movimentos e textos de diversas naturezas, reunindo vocabulários corporais e citações de autores variados. Os personagens – o diretor/coreógrafo, o dançarino, a bailarina, o ator e o técnico – são figuras arquetípicas que compõem as relações na peça, produzindo “coreografias sociais” por meio de embates e contradições.

Em atividade há 14 anos, o espetáculo se renova constantemente para dar conta dos modos vigentes de criar e produzir linguagem no campo das artes, na internet, na universidade, na TV. Sua estreia, em 2002, marcou o início de uma pesquisa continuada de Jorge Alencar sobre a relação entre dança e comicidade – em nível artístico e acadêmico –, um investimento atípico, considerando-se que a imensa maioria dos estudos sobre humor está ligada ao teatro e à filosofia e quase nunca à dança.

Oficina

Nesta circulação pelo Norte, o espetáculo será acompanhado da “Oficina de Honestidade Artística”, ministrada gratuitamente em cada cidade visitada, voltada para artistas dos diversos campos que desejem performar, independentemente de suas habilidades específicas. A atividade busca penetrar nas fantasias e tesões artísticos de cada participante. O que mobiliza cada artista além das tendências e tabus estéticos? O que produz atração e repulsa nas artes e como isso constitui cada pessoa em seu movimento criador? As inscrições, efetivadas por ordem de apresentação para as 15 vagas disponíveis em cada turma, podem ser feitas por meio de formulário online disponível em http://tinyurl.com/oficinahonestidade, onde também se encontram mais informações.

O projeto “Tombé Tour – Dança rumo ao Norte” foi contemplado com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2014 da Fundação Nacional de Artes (Funarte), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC).

Histórico

Ao longo dos anos, “Tombé” realizou circulação em contextos como o Projeto Festival Panorama de Dança (RJ), Quarta que Dança (BA), Festival Internacional de Dança de Recife (PE), Projeto Humor na Dança do Sesc Belenzinho (SP), culminando com a sua participação no projeto Palco Giratório do Sesc, em 2013, pelo qual viajou por mais de 30 cidades.

O espetáculo já foi, inclusive, apresentado no importante teatro alemão Hebbel am Ufer, na cidade de Berlim. Em 2015, foi selecionado pelo edital de Ocupação dos Espaços da Caixa Cultural e, em 2016, além da atual turnê, a equipe de “Tombé” ainda recebe subvenção da Fundação Cultural Gregório de Matos (Salvador/Bahia) para desenvolver uma série de TV baseada na peça, intitulada “Tombo”.

Sinopse

Você já tentou entender o sentido das coisas? Você já teve que inventar alguma teoria? Você já teve longas DRs com colegas de trabalho? Você já teve um chefe? Você já participou de dinâmicas de grupo? Você já perdeu o controle?

“Tombé” é um espetáculo considerado uma espécie de “stand up dance comedy”, um “sitcom coreográfico”, uma sessão de terapia coletiva que faz jogos de espelho entre ficção e realidade, riso e desespero, artista e público.

Numa companhia de dança ficcional (e hiperreal), a cena se constrói entre diversos vocabulários corporais, teorias cabeludas, desabafos de Facebook, citações de obras de autores variados. “Tombé” coreografa movimentos, discursos e absurdos da arte e da vida. Os artistas resumem que é uma obra que ri de si.

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