Economia

O que muda na economia do Amazonas com a permanência de Temer?

Alguns representantes da indústria e do comércio no Amazonas avaliaram a permanência do presidente Michel Temer e o que isso afeta o Estado – Divulgação

Empresários da indústria e do comércio do Amazonas, que antes enxergam a troca de Dilma Rousseff por Michel Temer com expectativas de crescimento em seus setores e como um passo para recuperação da economia a partir dessa renovação presidencial, hoje demonstram desconfiança com o cenário político e econômico que o país enfrenta. A instabilidade e a crise continuam a afetar o tão esperado progresso e eles temem que nada possa mudar com a permanência do atual presidente.

A Câmara dos Deputados rejeitou, na noite da última quarta-feira (2), denúncia da Procuradoria-Geral da República por crime de corrupção passiva contra Michel Temer. Votaram 492 deputados dos 513 deputados: 263 foram a favor do relatório, 227 contra e duas abstenções. Houve ainda 19 ausências. A votação na Casa gerou muita especulação, esperança e receio de vários setores da economia brasileira. O Amazonas não foi diferente.

Os representantes dos principais setores do comércio e da indústria amazonense citam as quedas na produção e nas vendas, além de demissões e recuo dos investimentos no país, como resultados da estagnação econômica provocada pelo antigo e atual governo. Insatisfeitos com o ritmo lento da economia, eles avaliaram a permanência do presidente Michel Temer após a votação e como isso afeta o estado.

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ataliba David Antônio Filho, alertou para a importância do governo federal passar a olhar com atenção para o Amazonas. Segundo ele, Michel Temer precisa se sensibilizar principalmente com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

“É preciso que o governo federal cumpra o decreto 288, fazendo com que a Suframa cumpra o papel de uma agente indutora de desenvolvimento. Hoje em dia ela não é e nem cumpre isso. A Suframa não tem autonomia para implantar novos planos”.

Além disso, Ataliba ainda afirmou que é extremamente importante que o governo federal tome medidas sobre a Zona Franca, fomentando e atraindo empresas para o Polo Industrial de Manaus (PIM). O Estado, segundo ele, já perdeu milhares de postos de trabalho nesse ano e em 2016. Foram mais de 63 mil empregos perdidos. Algumas empresas saíram de Manaus e foram para o Paraguai.

“A indústria caindo, todo mundo perde e isso enfraquece a cadeia econômica como um todo, principalmente, o comércio”.

Ataliba ainda ressaltou que é preciso criar mecanismos para aquecer a economia. “Vamos esperar para ver se haverá essa sensibilização com relação à economia do Amazonas”.

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Hora de esperar

Para o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o momento agora, após a permanência do presidente Temer, é de espera.”Não tenho como dizer como a continuidade dele na Presidência afetará a economia local. Apenas digo que temos que esperar o desenvolvimento desse fato. Por conta disso, nós entendemos que para falar sobre o que afeta ou não o Amazonas, devemos esperar”, ressaltou.

Por outro lado…

Na opinião do presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-Manaus), Ralph Assayag, as consequências serão positivas. A permanência do presidente dá segurança aos investidores – que acreditam no crescimento da economia quando há estabilidade política.

“As reduções que foram feitas de custos da máquina pública, as novas leis trabalhistas e da previdência, além de tantas outras que enfatizam a desburocratização, trazem uma tranquilidade para quem quer investir”, disse otimista.

Ainda segundo Ralph, Temer continuar no poder, nesse momento, é essencial porque não é necessário trocar as equipes de governo. A segunda mudança na liderança do país, em um período pequeno, geraria insegurança até que os empresários, representantes das entidades do comércio e indústria, assim como os investidores, conhecessem a nova equipe econômica e os seus planos para a economia brasileira. Segundo ele, até que eles sentissem as mudanças de um novo governo, entre 6 a 7 meses, já estaríamos em cima da próxima eleição.

“A permanência dele foi muito boa. Espero que ele esteja fazendo um trabalho de modernização do país, principalmente, porque ele não tem popularidade. Ele também deve fazer novas ações no Amazonas. Na agricultura e na pecuária, ele fez mudanças radicais e o resultado será visto no futuro, na história do Brasil”.

Os lojistas aguardam o aumento na movimentação do comércio – Márcio Melo

O economista e professor Francisco Mourão Junior acredita que a permanência de Temer vai gerar uma estabilidade, pois ele vai continuar com as medidas para evitar a crise. O objetivo é melhorar a economia e também a própria situação do governo dele.

“A estabilidade política gera estabilidade econômica. As reformas são de extrema necessidade, o Amazonas tem muito a ganhar. Na questão do Polo Industrial, os produtos da linha branca (motocicletas, geladeira, TV e informática), que são produtos com grande consumo, vão começar a ser produzidos em grande escala. Após as reformas e a retomada da economia, a indústria e o comércio vão começar a gerar mais empregos, renda e consumo. O Amazonas só tem a ganhar nos três setores”, ressalta o economista.

No entanto, ele ainda explica que quando ocorre uma crise política, não há investimentos. O empresário não se sente seguro para fazer novos projetos e o consumidor fica cauteloso. “Por isso, a permanência dele é melhor do que uma mudança nesse momento. Assim, o governo dará prioridade para as reformas, principalmente, a tributária. Tudo isso terá um resultado positivo no futuro”.

Tem gente que pensa diferente

Para o cientista político e sociólogo Luis Antônio Nascimento, com a continuidade do Temer no poder vão haver mais ataques aos direitos trabalhistas, mais cortes em investimentos e em programas nas áreas da educação. “Até as bolsas de iniciação científica e Pós-Graduação estão sendo cortadas”, ressaltou.

Ainda de acordo com ele,  Temer seguirá, até onde o povo deixar, implementando o seu programa, cuja finalidade é desmontar o Estado Brasileiro, vendendo o que restar ao capital.

“A Caixa Econômica Federal (CEF) está anunciando que não realizará concursos para contratar novos servidores, isto se dará por contratação de terceirizados. Precisaram dar o golpe na Dilma para implementar o que o povo não aprovou pelo voto”.

Enquanto isso, o povo precisa acompanhar de perto os próximos passos do governo federal. O presidente Michel Temer, que desde que tomou posse nunca visitou o Amazonas, precisa voltar o olhar para o Estado e trazer investimentos para o setor econômico local.

Bruna Chagas

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