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‘O PT não é podre sozinho’, afirma vereador do PSB

Neste domingo (16), aproximadamente 10 mil pessoas foram às ruas de Manaus protestar contra o governo Dilma e pedir o impeachment da presidente - foto: Ricardo Oliveira

Neste domingo (16), aproximadamente 10 mil pessoas foram às ruas de Manaus protestar contra o governo Dilma e pedir o impeachment da presidente – foto: Ricardo Oliveira

As manifestações contra o governo Dilma e o pedido de impeachment da presidente, realizado em todo o país no último domingo, ecoaram na Câmara Municipal de Manaus (CMM), que possui três representantes do PT. Na manhã desta segunda-feira (17), vários vereadores usaram a tribuna para se posicionar contra e a favor dos protestos.

Mais enfático, o vereador Marcelo Serafim (PSB) declarou que o “PT não é podre sozinho”, ao se referir que a sociedade vê, em cada partido político, algo de errado. “Todos os vereadores devem colocar suas consciências em dia e ficar quieto em seus lugares, deixando a sociedade funcionar. Há que se fazer uma reflexão”, disse.

Na sua avaliação, apesar de os protestos em Manaus terem atraídos cerca de dez mil pessoas e, milhares em várias capitais brasileiras, ele considerou a participação popular fraca se comparado ao momento político por qual passa o país.

“No momento que a presidente detém um dos maiores índices de impopularidade, as manifestações foram mais fracas o que mostra que o meu partido e todos os partidos também tem uma parcela de culpa. E, quando nos metemos neste movimento que é da sociedade, nós acabamos contaminando esse processo”, disse Marcelo.

Para o vereador, no momento que se politizam e partidarizam os movimentos com o de anteontem, passa a interferir no verdadeiro viés do movimento.

O presidente da Câmara, vereador Wilker Barreto (PHS), também se posicionou sobre o fato e afirmou que vê estes protestos como um amadurecimento da democracia e percebe que o povo está cada vez mais crítico, cumprindo com o papel de fiscalizar, tanto os políticos quanto o serviço público com qualidade.

“Eu sou totalmente contra o que chamamos de ‘golpe’. Se há algum indício de crime que seja punido. Agora, eu não posso é querer que seja cassado um mandato pelo fato de eu não gostar de outro lado. Em minha opinião, é uma questão de tempo até chegar lá, na questão da materialidade do crime, e quanto isso não se concretiza, eu não posso ser a favor de qualquer manobra politica”, argumentou Wilker.

O presidente afirma que vê com bons olhos as manifestações, onde desde 2014, 50% da população votaram num candidato e 50% votou em outro, segundo ele, é praticamente uma madura e boa rivalidade.

Ao ser questionado sobre um possível desenrolar que possa levar a derrubada da presidente Dilma Rousseff, o presidente da CMM lembrou que o ex-presidente Fernando Collor (PTB), caiu por muito menos.

Em defesa do governo Dilma, o vereador Professor Bibiano (PT), disse que deve se observar é que o povo está indo para as ruas não de defesa a um partido, mas a um sistema de governo que está conseguindo finalmente fazer a justiça social, não no âmbito que ele precisa fazer, mas que tem sido uma resposta sim aos gritos da sociedade.

Em contra-ataque aos protestos do último domingo, Bibiano informou que várias entidades de vários setores da sociedade estão se organizando para um evento marcado para depois de amanhã a favor da presidente Dilma.

Segundo ele, deve ser um grande ato democrático em defesa de um sistema que deve ser aperfeiçoado. Para o parlamentar, o governo deve passar por mudanças em sua estrutura, com uma reforma política e com uma verdadeira reforma agrária. Ele reconheceu que existe uma parcela da população que está inconformada com o governo Dilma, mas, frisou, comparando esta manifestação com as anteriores, o número passa a ser insignificante.

Movimento

Conforme o vereador, o movimento foi ganhando outras dimensões, onde nos primeiros momentos havia uma pauta concreta, voltada para os setores da educação, saúde, transporte público. Atualmente, frisou, são apenas gritos, que pedem a saída da presidente, mostrando um forte viés partidário.

Também do PT, Waldemir José lembrou que na semana passada, ao ser homenageado na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), o arcebispo de Manaus, dom Sérgio Castriani, ressaltou que o país passa por uma crise política, muito mais do que uma crise econômica e que por trás dessas manifestações há uma disputa de um grupo que quer chegar ao poder não pelas eleições.

Ele disse que a manifestação do final de semana representa um quinto turno das eleições, onde em todos esses turnos a presidente saiu vencedora. “Nós queremos dizer que estamos fazendo um ato pela democracia, e que oposição pode trazer quantos turnos trouxer, e que esses turnos todos irão perder, pois mais de 50% do povo escolheu o programa da presidente Dilma”, disse Waldemir.

Por Henderson Martins

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