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O poder

Professor universitário e consultor de empresas

Flávio Lauria
Professor universitário e consultor de empresas

Esta reflexão estava hibernando há um bom tempo, e resolvi agora publicá-la. De onde vem o poder? Vem de Deus? Vem do diabo? Vem dos homens, da hierarquia criada pelos homens, da riqueza. Às vezes chega, instala-se e proclama-se poder. Vira tirano, ditador e arma-se para ter mais poder.

O poder não tem consciência, não tem piedade e não chora por ninguém, mas muitos choram pelo poder. O poder vem da força. A força intimida aos que não têm poder, pois o temor é a arma mais usada para conservá-lo. O poder procura ser agradável e sempre sorrir. Quando faz bem às pessoas é para ter mais poder. Não tem escrúpulos. Não é tranquilo. Se assim fosse, desapareceria. É vigilante, não tem medida e consegue tudo o que quer. Não ama, se amasse estaria arruinado. Apesar de ser inteligente, se afina mais com a ignorância por ser ela o seu sustentáculo.

A mentira é amiga íntima do poder. Sua cor preferida é o amarelo ouro. Veste-se de roupas bonitas e tem postura elegante. Quando não se veste bem e não tem postura nenhuma, todos notam a sua feição grave de poder. Os que não têm poder lutam para conquistá-lo e, quando conseguem, continuam a gloriosa e terrível trajetória do poder e que um dia acaba. Depois, sem poder, sem mais necessidades, é consumido por uma solidão definitiva. Como um fantasma sedutor ronda o poder a vida e a imaginação dos seres humanos. Seria tal qual um ídolo disposto a exigir sacrifícios.

Por ele se imola os amigos, a honestidade, o tempo com os filhos, a emoção, o coração, a saúde, até a própria memória póstuma. Enquanto isso semeia a discórdia, a falsidade, a distorção cruel da meia palavra ou meia verdade, se esta existisse. Sua religião exige culto ao próprio ego, e para tal não medirá esforços nem se curvará a um mínimo de respeito ao outro, construindo escada, degrau por degrau, sobre os ossos dos que se interpuseram no caminho.

Como todo ídolo, o poder dará em troca prestígio social, dinheiro, domínio, mas em um futuro breve, exigirá a solidão de seus adoradores, a fragmentação do seu eu, e finalmente a morte (morre-se quando não há mais comunicação). Podemos e devemos analisar e submeter todas as pessoas e instituições que, de uma maneira ou de outra, exercem algum tipo de autoridade sobre os outros, avaliando sobre qual destes dois tipos de poder se assentam sua personalidade e seu modo de administrar. O tempo é propício.

É tempo em que se agitam bandeiras, aparentemente idênticas, estampadas com imagens de idênticos semblantes, com palavras (sofismas) e palavras e palavras infindas. É o joio e o trigo a estourar num bailado de luzes midiáticas que entontece a quem o assiste. A dança dos poderes. Os dois, um de César o outro do Cristo nas arenas circenses dos tempos. É a proximidade das eleições que acontecem no ano que vem. E as eleições são esferas cíclicas que se entrelaçam e exercem poder sobre nossas vidas.

Serão como aguilhões de chumbo soldados a nossos pés ou serão chaves libertadoras, os frutos das nossas escolhas. Escolhas estas, feitas por nós, mas que atingirão outros em várias escalas de influência. Somos e seremos coniventes e cúmplices nos nossos erros e acertos, na graça e no pecado, na morte ou na vida.

lauriaferreira@hotmail.com

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