Editorial

O loteamento de Roraima

A governadora Suely Campos (PP) transformou o Estado de Roraima em uma fazenda com terras tomadas aos índios: nomeou 19 parentes para diferentes secretarias, depois de escolher o próprio marido, Neudo Campos, como chefe da Casa Civil e responsável pelo processo de transição.

Suely substituiu a Neudo, que teve sua candidatura rejeitada duas vezes pelo Tribunal Regional Eleitoral, por supostas implicações com a Lei da Ficha Limpa. Ele indicou a mulher como substituta dele, sem esquecer de alertar que seria “a sombra” dela no governo. Dito e feito. O gesto nepotista da governadora repercutiu mal, dentro e fora do Estado. O seu vice, Paulo César Quartiero (DEM), acusou-a de estabelecer uma nova oligarquia em Roraima, em substituição à do senador Romero Jucá (PMDB), que tinha hegemonia do governo estadual.

Depois de divulgar em rede social que não participou da transição do governo estadual nem da escolha do secretariado, Quartiero esclareceu que “na campanha inteira, nós lutamos contra a máquina poderosa, dizendo que Roraima estava sujeita à oligarquia da família Jucá [se referindo ao senador Romero e a Rodrigo Jucá, também do PMDB, que concorreu como vice na chapa derrotada de Chico Rodrigues, do PSB]”. Quartiero denuncia que, após as eleições, Suely Campos e o marido instalaram uma nova oligarquia com seus parentes. “Não foi isso que tínhamos em mente e não foi isso que prometemos durante toda a campanha”, reiterou o vice-governador ao blog InfoMoney, neste fim de semana.

Para o professor de Filosofia Política e Ética da Unicamp, Roberto Romano, “o problema é o fato de se colocar uma família controlando os negócios públicos de um Estado, de um município ou de um país”, disse. Alguém pensa que o Estado de Roraima não é visto no mapa do Brasil.

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