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O esporte ajuda mudar o destino de muitas pessoas em Manaus

Sandro Viana foi campeão nos Pan-Americanos de 2007, realizado no Rio de Janeiro (RJ), e em 2011, disputado em Guadalajara (MEX), na prova de revezamento dos 4x100 metros rasos – foto: arquivo EM TEMPO

Sandro Viana foi campeão nos Pan-Americanos de 2007, realizado no Rio de Janeiro (RJ), e em 2011, disputado em Guadalajara (MEX) – foto: arquivo EM TEMPO

Quando falamos de esportes, pensamos logo nas modalidades mais populares e praticadas, como futebol, atletismo e natação. Lembramos das inúmeras emoções que cercam uma partida de basquete, uma corrida de Fórmula 1 ou uma luta de MMA. Muitos sorrisos, abraços, beijos e até choros já foram vistos pelos apaixonados que acompanham de perto os seus atletas ou clubes preferidos.

Para muitos, os esportes são apenas uma diversão, um lazer ou, simplesmente, um passatempo. Para outros, uma necessidade, uma profissão ou filosofia de vida. Ainda existem aqueles que não gostam, acham desnecessário para a sociedade e se perguntam: qual é o seu papel? Qual a sua utilidade? Só serve para gastar dinheiro público? Para essas perguntas a resposta é uma só: o esporte formar cidadãos.

Podemos encontrar em diversas modalidades, pessoas que tiveram sua vida impactada por uma modalidade. Exemplo disso é o lutador americano Nick Diaz. O atleta ganhou fama neste mês ao vencer o irlandês Conor McGregor na edição 196 do UFC, maior evento de MMA do mundo. Considerado por muitos um “bad boy”, Diaz iniciou no jiu-jitsu ainda na infância. Morando em um bairro pobre da Califórnia, o lutador encontrou no esporte uma folga para a violência que via de perto. Além disso, durante o período, o lanche oferecido após os treinamentos era o único alimento que o garoto e seu irmão, o também lutador de MMA, Nate Diaz, tinham durante o dia.

Não precisamos sair do Estado para ver outros exemplos de pessoas que tiveram o destino modificado pelo esporte. Bicampeão pan-americano no revezamento 4×100 metros rasos, Sandro Viana escolheu, já adulto, seguir a carreira de atleta profissional. Porém, desde sua infância, o amazonense sempre esteve ligado a atividade esportiva.

“Entrei no esporte por estilo de vida, como uma filosofia, isso desde pequeno. Não lembro de uma fase da minha vida onde não estive ligado ao esporte. Pratico desde muito novo. Não fiz outra coisa a não ser praticar esporte. E isso me ensina. Entrar no esporte profissional foi consequência do amor que sentia no esporte amador. Pratiquei uma gama de esportes. Isso fez com que ganhasse uma visão que poderia buscar um algum a mais se entrasse no esporte profissional. Foi isso que acabou acontecendo de forma natural”, explicou o corredor, que disputou competições em mais de 27 países. Assim, Sandro teve a oportunidade de conhecer outras culturas e costumes. Segundo o atleta, por tudo isso, ele não se vê fazendo outra coisa que não esteja ligada ao esporte.

“Adquiri conhecimentos ao redor do mundo, aprendi outras línguas e ganhei o reconhecimento nacional e internacionalmente. Isso me mostrou que se você tiver um talento, uma vocação e focar, você terá um retorno. Não me vejo trabalhando em outros lugares como engenharia ou segurança pública. Me vejo no esporte e estou pronto para debater com qualquer pessoa. Busco informações. Isso vem de muito tempo, de um caminho muito duro e árduo. Mas tudo valeu a pena. Posso disser com muito orgulho que sou atleta e o esporte é o meu meio de vida”, citou Viana.

Barata ferramenta de ensino

Por todos os resultados obtidos em sua carreira, Sandro é constantemente procurado por jovens que sonham ganhar a vida como profissional em alguma modalidade. O atleta explica que sempre apoia essas pessoas, porque acredita que o esporte tem um papel social muito maior do que é divulgado na mídia. Para Viana, as pessoas vendem uma imagem errada, ao invés de promover por ser um veículo barato que pode ser utilizado para ensinar as futuras gerações.

“O esporte é apresentado, geralmente, aos jovens como alternativa para quem fracassou na vida. Acho isso um erro, porque é uma ferramenta fantástica. É uma das melhores ferramentas criadas pelo homem na sua existência. O esporte revela caráter, forma caráter, desenvolve o indivíduo, mas, infelizmente, vejo que é vendido e apresentado para quem não tem oportunidade. “Não deu certo na vida? Vai praticar esportes. Está nas ruas? Vai praticar esportes”. Isso só denigre a imagem do esporte. Vende o produto de maneira errada”, analisou Sandro, que concluiu mostrando todo o seu orgulho ao falar da atividade que mudou sua maneira de ver o mundo.

“Você nunca vai passar vergonha, porque pratica esportes. Tenha orgulho de seu talento. Minha história começou na parte adulta. Tem pessoas que me procuram e compreendem que o esporte ajuda para o resto da vida. Pratique e dê o seu exclusivo e legitimo recado”, concluiu.

Amor pelo esporte veio de berço

Não é qualquer pai que pode se orgulhar de ter três filhos, atletas de alto nível, representando o Brasil em competições pelo mundo. Porém, esse é o caso do faixa-preta de jiu-jitsu e judô Antônio Barbosa. Dentro de casa, ele tem apenas Rafael, Rayfan e Rafaela. Todos lutadores que já conquistaram medalhas e orgulharam os amazonenses pelo mundo.

Atleta da seleção brasileira de judô, Rafaela explica que o esporte sempre rodeou a sua vida. Graças à paixão de seu pai, todos foram introduzidos desde cedo no mundo das lutas.

“O esporte rodeia minha vida, a vida da nossa família, até do meu relacionamento e o dos meus irmãos. A gente escolheu seguir o esporte e ter ele como parâmetro, porque o esporte é vida, é superação, é mudança e evolução. Ele não nos faz parar, nos acomodar, não nos deixa satisfeito com a derrota e isso nos uniu numa vida juntos para ajudar pessoas, pessoas que não têm esperança, não tinham vida, não tinham motivos para viver ou viver com qualidade”, explicou Rafaela, que lidera junto com os demais da família a Associação Barbosa de Lutas Esportivas (Able).

No projeto social, são atendidos mais de 250 crianças e adolescentes que vivem próximos do Prosamim do bairro da Cachoeirinha, Zona Centro-Sul de Manaus. Rafaela conta que vê de perto a mudança que o esporte faz nesses pequenos brasileirinhos. Comportamento, disciplina e confiança são apenas alguns pontos diretamente afeta. Fora isso, eles ainda aprendem o mais importante: que, sozinhos, não chegam a lugar nenhum.

“Tem gente que pensa que atleta não pode ter uma vida normal fora dessa linha, vê uma pessoa somente esportista ser um grande profissional. Isso é a mais pura mentira. A bênção de ser uma atleta e que o esporte te proporciona ser o que quiser e quando quiser, basta se dedicar. Eu amo o esporte pelas pessoas e lugares que conheci. Amo por ser quem sou e ter me feito essa pessoa de personalidade forte que sabe bem o que quer. Nem tudo são mil flores, mas nada me tira o prazer de chorar de alegria ao subir no pódio e até mesmo, chorar a cada dificuldade que passo e supero, mesmo que rastejando, mas seguindo sempre em frente e progredindo”, citou o judoca.

Por Thiago Fernando

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