Dia a dia

O Dias das mães atrás das grades

       Hoje, muitas mães estarão nas portas de presídios para passar a data com seus filhos – Arthur Castro

Neste domingo, mulheres em divida com a justiça sofrem, na pele, a dor da solidão no dia dedicado a elas. Outras, enfrentam sol ou chuva para passar algumas horas se confraternizando com os filhos presos. Fomos em busca de relatos de como é passar o esta data atrás das grades de uma penitenciária estadual.

Presa em 2016, Patricia Silveira de Santos, de 26 anos, nunca imaginou passar um longo período longe dos filhos. Mas o tempo em que esteve encarcerada decidiu não deixar que as crianças a visitasse na cadeia. Agora, com o benefício da prisão domiciliar, ela voltou à convivência com seus amores. “Foram dias e dias de angústia, dor e sofrimento longe dos meus filhos”, lembrou a detenta, que deve ser julgada em breve e corre o risco de voltar para a prisão e ficar afastada, novamente, das crianças.

Patrícia passará o Dia das Mães com os filhos, mas se for condenada poderá ficar alguns anos sem comemorar a data – Janailton Falcão

“O que mais me dói é ver meus filhos querendo e precisando das coisas e eu sem ter condições financeira para suprir as necessidades deles. Toda vez que tento fazer uma entrevista de emprego é unânime as pessoas não disfarçarem o preconceito, principalmente quando olham para as minhas pernas e enxergam a tornozeleira”, lembra Patrícia.

Outra mãe que tem vivido dias de aflição é dona Maria do Carmo Silveira, de 50 anos. Ela é mãe de Patrícia e está muito preocupada com o futuro da filha. “Uma mãe é para dez ou mais filhos, como diz o ditado. E eu vivi isso na pele. Tive que me tornar mãe dos meus netos para que eles não fossem afetados pela tragédia. Mesmo com o coração na mão e tendo a consciência que a Patrícia precisava de mim, eu não tive coragem de ir até o presidio vê-la. Não queria ficar com aquela cena na minha memória. No entanto, movi céus e terras para tira-la de lá. Agora, meu esforço é para provar definitivamente a sua inocência. Se eu conseguir, terei feito com excelência meu papel de mãe”, concluiu dona Maria.

As mães não se importam em caminhar quilômetros ou se expor ao sol e a chuva para ficar perto dos filhos – Janailton Falcão

Do lado de fora
Neste domingo, muitas mães amanheceram em uma fila na frente dos centros de detenções do Estado. Mulheres que enfrentam sol e chuva para ficar poucas horas perto dos filhos presos.

Vivendo a primeira experiência doloroso de passar o dia das mães longe do primogênito, dona Silvana Oliveira, de 49 anos, vai abrir mão de passar esse domingo no conforto de sua casa, e na companhia dos outros filhos, para dar um abraço de esperança ao filho preso há pouco mais de duas semanas.

Dona Silvana vai ficar em frente ao presidio para tentar ver, pessoalmente o filho, mas se isso não for possível, vai passar o dia das mães na porta da cadeia para transmitir ao primogénito o amor que só uma mãe pode dar. “Não é fácil para uma mãe ver o filho preso em uma gaiola como se fosse um animal. Há 8 dias meu filho foi detido e até o momento não tive contato com ele. Talvez no dia das mães ainda não esteja liberada a visita, pois a regra diz que só pode depois de um mês”, finalizou.

Gerson Freitas

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