Economia

O ‘cabo de guerra’ entre lojistas e trabalhadores

O termômetro desse cabo de guerra é sentido nos postos do Sistema Nacional de Emprego (Sine Manaus) - foto: Ilustração

O termômetro desse cabo de guerra é sentido nos postos do Sistema Nacional de Emprego (Sine Manaus) – foto: Ilustração

A exigências das empresas quanto aos pré-requisitos de candidatos às vagas de emprego, têm tornado a relação entre empregador e empregado mais difícil em Manaus, ao ponto de o empresário sentir dificuldade em preencher os postos de trabalho disponíveis. O termômetro desse cabo de guerra é sentido nos postos do Sistema Nacional de Emprego (Sine Manaus), onde muitas vagas não são preenchidas porque as exigências do mercado não são atendidas.

A gerente de mediação de mão de obra do Sine Manaus, Ingrid Ribeiro, disse que o fator primordial para perda de vagas tem sido a baixa qualificação dos candidatos. “As pessoas geralmente não têm no currículo requisitos básicos como ensino médio, certificados de informática ou experiência, o que faz bastante falta na hora das empresas contratarem”, ressalta.

O soldador Raimundo Mendes, 50, conta que há dois anos trabalhava numa empresa e se sentia seguro, mas agora ficou desempregado e tem esbarrados nas exigências que não condizem com sua profissão. “Eu tentei uma vaga para bombeiro hidráulico, mas estavam exigindo carteira de habilitação A e B, uma coisa que não tem nada a ver com essa profissão. Como soldador, eu acabei perdendo a vaga por não ter essa qualificação”, lamenta.

O estudante Kaio Silva, 21, está há quase dois anos desempregado, o que tem feito ele frequentar a fila do Sine constantemente. “Não consigo vaga porque até para ajudante de pedreiro eles pedem ensino médio completo, e no meu caso, eu ainda estou cursando. Procuro vaga para ajudante em todas as áreas, mas toda vez que venho aqui não consigo emprego por causa dessa cobrança. Quero fazer curso para me qualificar, mas sem trabalho não dá”, reclama.

O técnico em informática Raimundo Souza, 30, se diz prejudicado na sua busca por um emprego, porque, além das grandes exigências, a concorrência do mercado de trabalho cresce na cidade. “A gente tem bastante dificuldade para preencher as vagas devido à concorrência e as grandes exigências das empresas. Já perdi vaga por falta de experiência mínima de seis meses que pediram no currículo e eu não tinha. Eu busco me qualificar, mas quase sempre a gente não atinge a qualificação completa”, aponta.

Concorrência

O empresário e ex-presidente da Associação Comercial do Amazonas, Ismael Bicharra, avalia que as empresas estão mais exigentes agora, porque dispõem de mais opções de mão de obra melhor qualificada com todo o pessoal demitido do Distrito Industrial nos últimos dois anos. “Aqueles trabalhadores de pouca qualificação que antes eram absorvidos pelas empresas por falta de opção, agora estão sofrendo com a concorrências com outras pessoas mais qualificadas que estão ficando com as vagas”, explica.

Por Joandres Xavier

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