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‘O Burguês Fidalgo’ se apresenta no palco do Teatro Amazonas neste sábado

Após a sessão de hoje, haverá um bate-papo da série “Encontros Vivo EnCena”, com o diretor - foto: divulgação

Após a sessão de hoje, haverá um bate-papo da série “Encontros Vivo EnCena”, com o diretor – foto: divulgação

O grupo paulistano Parlapatões, com mais de 40 comédias, está em Manaus com o espetáculo “O Burguês Fidalgo”. As apresentações, pelo projeto Vivo EnCena, acontecem hoje, às 20h e, 26 e (domingo), às 19h, no Teatro Amazonas. A escolha de “O Burguês Fidalgo”, de Moliére está profundamente ligada ao momento histórico brasileiro, visto com humor, onde o grupo faz uma divertida versão da comédia clássica. Ainda muito atual, o texto fala diretamente das necessidades de uma classe em ascensão em sua desenfreada busca por prestígio social.

O chamado “sonho burguês de nobreza” – desejo de uma classe dominada em ocupar o lugar da classe dominante – é retratado pelo Sr. Jordain, o burguês do título que, embora seja casado, tenta conquistar o amor de uma nobre para se projetar socialmente. Suas tentativas o expõem ao completo ridículo e revelam o quanto está cercado de interesseiros, que tiram proveito das ilusões que o burguês cria sobre si mesmo. O gênio de Molière vai além da visão sobre o comportamento social e, por meio da força demolidora do humor, se volta para os conflitos sociais e políticos ocultos nas relações cotidianas na vida de um homem que se deixa enganar para ser aceito socialmente.

As apresentações de “O Burguês Fidalgo”, em Manaus, encerram a turnê deste espetáculo pela temporada 2016 do projeto Vivo EnCena. Após a sessão do dia 25 de junho, haverá um bate-papo da série “Encontros Vivo EnCena”, com a participação do ator e diretor do espetáculo Hugo Possolo, do ator e parlapatão Raul Barretto e do curador do projeto Expedito Araújo. Além da proximidade com o artista, o encontro permite aos participantes conhecer e compartilhar histórias inspiradoras e ideias transformadoras para a cultura brasileira.

O Vivo EnCena oferece, também, workshops gratuitos e intercâmbios que buscam a formação de plateia e a inclusão cultural. Realizado há mais de 12 anos, o projeto beneficia 20 Estados brasileiros e tem curadoria e gestão do Teatro Vivo, na capital paulista.

O Brasil Emergente com cara de Burguês Fidalgo

A tradução e adaptação de Adonis Comelato, Hugo Possolo e Rafael Fanganiello mantém o ambiente histórico, quando nobres e burgueses disputavam o domínio da sociedade para, sem fugir do tempo na qual a história é narrada, jogar com nossa realidade atual.

Para o diretor Hugo Possolo, a encenação permite “uma visão sobre um país emergente, que quer ser mais do que consegue. Mais que uma analogia de épocas, os Parlapatões pretendem brincar com as facetas risíveis de um Brasil que vive a fantasia de crescimento, sem resolver sequer seus problemas básicos”.

A peça ganha uma encenação festiva, com música ao vivo e espaço para os improvisos que caracterizam o grupo. Cada personagem da história é uma hipérbole dos tipos brasileiros contemporâneos em ascensão, revelando o quanto cada uma delas se deixa corromper na perspectiva de uma vida melhor.

A visão alegórica da encenação traz nos figurinos de Cássio Brasil uma síntese do encontro de dois tempos, com trajes de época enfeitados com elementos contemporâneos, como fitas de vídeo e luvas cirúrgicas formando perucas, ou com porcas e parafusos se tornando bordados e enfeites luxuosos.

Do mesmo modo, a música, na direção musical de Pedro Vilhena, traz uma fusão de canções conhecidas que retratam o ufanismo e também canções especialmente compostas por Comelato, Fanganiello, Possolo e Vilhena.

Nascido como uma comédia-balé, essa adaptação busca no burlesco sua vertente mais musical, festiva e sensual, com coreografias de Rogério Maia.

Enfim, uma encenação divertida e alegre com o humor parlapatônico, sempre provocativo e capaz de levar grandes plateias ao teatro que, agora, retorna aos palcos patrocinado pela Telefônica Vivo, em temporada 2016 Vivo EnCena. Nesta turnê, “O Burguês Fidalgo”  circulou pelas cidades de Belo Horizonte/MG, Goiânia/GO, Vitória/ES e São José dos Campos – SP.

A história de Jordain

Com extraordinário humor, a peça fala sobre um burguês, o Sr. Jordain, que não economiza esforços nem dinheiro para se tornar um membro da nobreza. Para isso, contrata professores de música, dança, esgrima e filosofia, que brigam entre si para ver quem tira mais vantagem e dinheiro de Jordain.

Sua esposa, Sra. Jordain, é a única que percebe como o marido tem sido feito de tolo, enquanto um nobre falido, Dorante, prometendo um romance com a Marquesa Doriméne, vai tirando o seu dinheiro.

Em paralelo, o jovem Cleónte quer casar com a filha de Jordain, Lucile, mas o pai quer que a filha se case com um fidalgo. As confusões se sucedem até que o criado de Cléonte, Coville, arma uma grande farsa para enganar o burguês Jordain.

Parlapatões

Em 1991,  surgiu o grupo  teatral Parlapatões, voltado para a comédia, técnicas circenses e improvisação. Produziram mais de 46 diferentes espetáculos, promoveram eventos, mostras e festivais. Hoje, o grupo tem o seu teatro próprio, o Espaço Parlapatões, reconhecido, nacionalmente, por sua programação artística e pelo seu papel na revitalização do centro paulistano. Em janeiro de 2013, inauguram o Galpão Parlapatões, na Lapa, que funciona como centro de treinamento circense e sala de ensaio para teatro, circo, música e cinema. Os Parlapatões são realizadores, junto à JLeiva e Chaim Produções, da Festa do Teatro, que, em suas três edições, já distribuiu mais de 100 mil ingressos de teatro gratuitamente para a população paulistana e carioca. Os Parlapatões mantiveram também, entre 2005 e 2012, o Circo Roda, que realizou os espetáculos Stapafúrdyo, Oceano, DNA – Somos Todos Muito Iguais e Caravana – Memórias de um picadeiro. O vasto repertório dos Parlapatões já circulou todo o Brasil e seus principais festivais: FTC (Curitiba); Filo (Londrina), FIT (Belo Horizonte) e Porto Alegre em Cena. Destacam-se as peças: “PPP@WllmShkspr.br”; “Piolim” (Grande Prêmio da Crítica APCA); “Sardanapalo”, (Festival de Edimburgo, Escócia); e “U Fabuliô”, (representante oficial do Brasil na Expo 98), em Lisboa; “As Nuvens e/ou um Deu$ Chamado Dinheiro”; “Prego na Testa”; “Hércules e O Papa” e “Bruxa”. Seus espetáculos já se apresentaram na Espanha, Portugal, Chile, Escócia e EUA. Os espetáculos mais recentes do grupo são: “O Burguês Fidalgo”, “Eu Cão Eu”, “Os Mequetrefes” e “Até que deus é um ventilador de teto”.

Vivo Transforma

O Vivo EnCena integra a plataforma Vivo Transforma, criada pela empresa, em 2015 para promover a democratização do acesso à cultura e o envolvimento das comunidades em iniciativas voltadas, essencialmente, à música e às artes cênicas. Em 2016, serão mais de 90 projetos apoiados por meio das leis de incentivo fiscal, em diferentes regiões do país, com foco em transformação social, revelação de novos talentos e valorização da cultura nacional.

 

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