Editorial

O amanhã será melhor

Já se passaram 50 anos desde que os velhinhos de hoje podiam dizer com certa arrogância que não confiavam em ninguém com mais de 30 anos. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 18 anos, o número de pessoas no Brasil com 59 anos ou mais vai dobrar em relação ao de hoje (de 21,5 milhões para 42,9 milhões).

A preocupação é que esse envelhecimento da população será um desafio para o setor público, que ainda não aprendeu sequer a tratar das crianças, adolescentes e jovens, que, por sua vez, não estão interessados em mudar um jogo em que só parecem estar ganhando. O país começa a olhar com desconfiança quem tenha mais de 30 anos. Mas por outro lado, essa população idosa é saudada como uma oportunidade meramente econômica de “crescimento, consolidação e aperfeiçoamento do segmento de saúde suplementar do país”.

Tudo gera dinheiro. Especialistas avaliam que o governo não dará conta de suprir todas as necessidades dessa nova velha geração, visto as projeções de gastos públicos com saúde até 2030, o que terá impacto positivo e significativo no mercado dos planos de saúde.

O que fazer com tanta gente idosa e fora do mercado produtivo? Não é uma equação fácil para qualquer Estado ou qualquer governo. O mundo vive melhor hoje do que há 200 anos. Isso conforma um conformismo: caminhamos devagar, mas vamos em frente. É verdade: há 200 anos vivia-se melhor do que há 400 e há 400 era um paraíso viver, comparando as condições de vida com os últimos 600 anos.

Algumas culturas condenavam à morte solitária os que não podiam segurar o tranco da enxada. Hoje, já se tem um destino mais civilizado: alimentar um mercado promissor. O Estado e os governos avaliam quantas creches devem ser construídas. É para frente, que atrás vem gente.

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