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Número de homossexuais assassinados em Manaus dobrou, afirma Fórum LGBT

Corpo da doméstica Marinalva Bento da Costa, de idade não revelada, foi removido ao Instituto Médico Legal (IML) – foto: Mairkon Castro

Os assassinatos geralmente tem características passionais e a maioria são conhecidos da vitima  foto: Mairkon Castro

O Fórum Amazonense LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) registrou, no período de 1º de janeiro a 8 de setembro de 2015, 15 assassinatos de homossexuais em Manaus. O número de mortes dobrou em relação ao mesmo período do ano passado.

De acordo com o Fórum, esses números trazem preocupações com as políticas públicas oferecidas pelo Estado e que a maioria dos crimes são resultado de preconceito.

Segundo o titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), delegado Ivo Martins, há uma média de duas a três mortes de homossexuais por mês  em Manaus os crimes cresceram mais do que 50% na capital.

Martins ainda afirmou que na maioria dos casos, os criminosos têm envolvimento com as vítimas, e que os casos tratam, geralmente, de ex-namorados ou “casinhos isolados”. Martins também advertiu que relacionamentos deste tipo iniciam através da internet, ou seja, por meio de sites de relacionamentos ou de locais de encontro.

“Todos esses indícios ajudam para que os assassinatos de homossexuais aumentem. A maioria dos crimes têm características passionais, inclusive o do caso registrado no último fim de semana, em que o auxiliar administrativo Paollo Bruno de Souza, 26, foi encontrado morto dentro da quitinete onde morava, na avenida Penetração D, conjunto Ajuricaba, bairro Alvorada, Zona Oeste da cidade”, explicou o delegado.

“Geralmente a vítima tem algum tipo de envolvimento com o autor do crime e por conta da vulnerabilidade acaba sendo morta, geralmente, por arma branca ou estrangulamento,  tendo alguns pertences roubados. Os crimes ocorrem geralmente na casa das vítimas, quando estão sozinhas”, afirmou Martins.

Para o fórum LGBT, que atua há mais de seis anos em busca de políticas públicas para o movimento com um todo em Manaus e reúne mais de vinte instituições é necessário dar mais atenção ao tema.

“Nossa luta é árdua, mas se pararmos, vamos cair no esquecimento de vez. A sociedade e os governantes não se preocupam conosco. Acham que ao realizarem audiências e homenagens, ou até mesmo, movimentos culturais com a bandeira LGBT, vão colaborar para a diminuição desse preconceito” , questionou Sebastiana Silva, presidente do Fórum LGBT.

Em nota, a Policia Civil informou que “ações e campanhas de combate e prevenção a crimes contra homossexuais ainda serão implementadas em Manaus pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e que trabalhos ostensivos realizados nas ruas cabem são de responsabilidade da Polícia Militar”.

Prevenção

O Fórum LGBT organiza para as próximas semanas uma conferência regional que vai discutir políticas públicas e criar propostas a fim de trazer tranquilidade ao público LGBT, que vive em estado de vulnerabilidade de até 99% em grandes capitais como Manaus.

“Além disso, temos indícios que na nossa capital, já existe grupos especializados em agressões aos LGBT’s. Declarados, como é o caso dos Skinhead, esses indícios são apresentados pelo Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), dados extraoficiais, que apontam um grupo de mais ou menos vinte pessoas, geralmente homens com idade entre 19 a 30 anos que andam em grupos, praticando agressões em lugares geralmente isolados”, informou o Fórum.

O Fórum aponta ainda que a maioria das vítimas desses grupos não procura a policia, pois tem medo de represálias.

Por Mairkon Castro

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