Política

Novo ministro do Supremo enfrenta rejeição de católicos e evangélicos radicais

Futuro ministro do STF, Luiz Fachin, terá dificuldades com algumas alas cristãs - foto: divulgação

Antes mesmo de enfrentar obstáculos para ser aprovado na sabatina do Senado, Luiz Fachin já contava com a antipatia dos segmentos religiosos mais conservadores do país – foto: divulgação

O próximo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fachin, pode até ter passado pelo crivo de deputados e senadores para ocupar a vaga deixada por Joaquim Barbosa, mas, se depender de algumas alas cristãs, não terá vida fácil em razão de suas ideias, consideradas por católicos e evangélicos como controversas.

A defesa do compartilhamento de herança por filhos fora do casamento e a esterilização de um dos cônjuges sem a autorização de uma das partes são rechaçadas por um dos mais radicais pastores do país, Silas Malafaia – presidente da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, do Rio de Janeiro.

Semanas antes de Fachin ser sabatinado por senadores, para ter seu nome confirmado como ministro do STF, Malafaia organizou, por meio das mídias sociais, um abaixo-assinado pedindo que os evangélicos e pessoas de outras religiões enviassem mensagens aos 81 senadores pedindo a desaprovação do jurista.

Em vídeo postado no Youtube, o pastor enumerou uma extensa lista de adjetivos negativos que, na opinião dele, depunham contra a indicação de Fachin à vaga ao Supremo.

“A presidente Dilma Rousseff indica ao cargo de ministro do STF Luiz Fachin. Ele é presidente de um famigerado Instituto Brasileiro de Direitos da Família (Ibdfam), mas creio que deva ser o Instituto Brasileiro Contra a Família (Ibcofam)”, ironiza Malafaia ao relacionar as posições contraditórias do ministro em oposição às ideias defendidas pela maioria das igrejas evangélicas e de outras denominações de confissão cristã.

“Sabe o que ele (Fachin) defende? Que a amante tenha direito à pensão da viúva, quer dizer: entra na família, instituída pelo Poder Judiciário, a figura da amante – essa lei já está no STF e é defendida por esse cidadão”, dispara o assembleiano.

Artilharia pesada

Em sua artilharia pesada contra Luiz Fachin, o pastor Silas declara que o ministro defende a esterilização do cônjuge sem a autorização de ambas as partes.

“Meu amigo, o casamento é uma unidade e um contrato civil. Nesse caso, sem que o marido saiba, a esposa pode fazer uma laqueadura e o marido que se vire se quiser ter filho. Da mesma forma, o marido pode fazer vasectomia e também não se importar com o que pensa ou acha sua mulher”, denuncia.

Malafaia não para. “Esse cidadão defende o confisco, desapropriação e expropriação de terras produtivas: isso é coisa de comunista que defende o Movimento dos Sem Terra – que invadem as propriedades alheias dos outros”, finaliza.

Para o padre Charles, da Arquidiocese de Manaus, a Igreja Católica discorda em dois pontos dos ideais defendidos pelo novo ministro do STF, Luiz Fachin. O padre esclarece que os casais, antes do casamento, passam por uma entrevista onde ambos devem confessar ao outro algo que possa ferir ou macular a identidade do cônjuge.

“É nesse bate-papo que os casais têm a oportunidade de deixar claro se há algum impedimento ou razão para que o outro possa ou não dar continuidade ao processo matrimonial”, detalha o padre.

‘Dificuldade de procriação’

Por esse raciocínio, afirma o padre Charles, é possível que um dos cônjuges revele se existe um impedimento, como a dificuldade de procriação.

“Caso haja omissão por um dos dois e, após o casamento se descobrir a mentira, essa farsa é passível de anulação do casamento. Agora, se na entrevista ficar tudo claro e os noivos desejarem prosseguir com o processo, isso é uma decisão deles. Portanto, a igreja é totalmente contrária à esterilização sem o consentimento das partes”, alerta o padre.

Sobre a divisão dos bens entre famílias, sendo que uma foi formada fora do casamento, o padre Charles não julga esse mérito e sim a questão do adultério.

“Não somos favoráveis a amantes, pois guardamos o princípio monogâmico da família. Também não discutimos a questão de herança, pelo fato de que houve uma quebra de aliança – a fidelidade matrimonial foi ferida”.

Por Náis Campos (Jornal EM TEMPO)

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir