Dia a dia

Novo flutuante incentiva ecoturismo em Iranduba

 No Flutuante Amigos do Boto Vermelho, a alimentação dos botos é feita exclusivamente por pessoas capacitadas do local – foto: Ricardo Oliveira


No Flutuante Amigos do Boto Vermelho, a alimentação dos botos é feita exclusivamente por pessoas capacitadas do local – foto: Ricardo Oliveira

Promover o ecoturismo, a conscientização ambiental e o desenvolvimento da comunidade São Thomé, localizada no município de Iranduba (a 28 quilômetros de Manaus). Esse é o tripé no qual se baseia o projeto do Flutuante Amigos do Boto Vermelho, cuja inauguração oficial ocorreu na manhã de ontem. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com patrocínio do instituto Oi Futuro.

Nos últimos anos, a visitação ao boto vermelho (Inia geoffrensis) vem conquistando a preferência de turistas que visitam o Amazonas. As atividades desenvolvidas n’O Amigos do Boto Vermelho, no entanto, seguem normas estabelecidas (de forma ainda não-oficial) pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas (Cemaam). O visitante que chegar à plataforma, além de obter informações sobre a espécie, deve observar uma série de regras. O objetivo, a princípio, é preservar a integridade do animal e promover a convivência harmoniosa entre visitantes e a população ribeirinha.

O turista (cujo contato com o animal é proibido) deve respeitar tempo máximo de permanência dentro da água, por exemplo, e a alimentação dos botos é feita exclusivamente por pessoas capacitadas. “Não basta incentivar a interação do turista com os botos. É importante que ele, ao receber informações, seja capaz de replicá-las em outras partes do mundo. Caso contrário, não podemos classificar tal atividade como ecoturismo”, resume a pesquisadora e membro do conselho da Ampa, Vera Silva.

Além disso, a estrutura do Flutuante Amigos do Boto Vermelho consiste em madeira de manejo sustentável, e o esgoto dispõe de um sistema de tratamento de afluentes. “Na época em que chegamos aqui para apresentar o projeto, a primeira tarefa que enfrentamos foi ganhar a confiança da comunidade”, lembra o diretor da Ampa, Jone Silva. Para tanto, ele contou com o auxílio de Davi Coelho, que já oferecia o serviço de orientação de mergulho no local há dois anos. Dessa forma, e com o resultado ocasional da pesca, Davi garante o sustento da esposa e dos sete filhos. “Vamos oferecer serviços de capacitação em ecoturismo para os moradores daqui, e assim poderemos integrá-los ao projeto”, complementa Silva.

Proteção

Considerado o maior mamífero de água doce do planeta, o boto vermelho ainda sofre com os impactos da ação do homem. Embora a caça esteja se erradicando aos poucos, o animal – encontrado em praticamente todos os rios da Amazônia – é alvo de capturas acidentais e do turismo desordenado. Além disso, a utilização da carne como isca na pesca da piracatinga, um bagre necrófilo, vem causando o desaparecimento da espécie.

“Existe uma demanda muito grande por esse tipo de atividade no Amazonas. Por isso, a organização e o controle do acesso às áreas onde esses animais vivem se mostra bastante complicada”, diz Vera. Atualmente, a Ampa vem mobilizando esforços junto aos órgãos competentes, com o propósito de contribuir para a criação de uma legislação específica para a atividade. Outra lacuna refere-se ao trabalho de fiscalização. Segundo Vera, o Batalhão de Policiamento Ambiental dispõe de aproximadamente vinte profissionais em atividade no Estado.

Por Daniel Amorim (equipe Jornal EM TEMPO)

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir