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Novo embaixador dos EUA no Brasil tem escolha adiada

Nomeado pelo presidente Barack Obama como o próximo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, o diplomata Peter McKinley terá que esperar mais do que o previsto para assumir o posto.

Por iniciativa do senador republicano Ted Cruz, a aprovação de seu nome no Congresso foi travada na última hora, frustrando os esforços para que ela fosse votada antes do recesso parlamentar, que começou nesta sexta (15).

A manobra ocorreu depois de McKinley ter sido ratificado por unanimidade na Comissão de Relações Exteriores do Senado, onde havia sido sabatinado semanas antes. Além dele, outros seis novos embaixadores nomeados pelo presidente Obama foram submetidos a votação no Senado, e todos foram aprovados. Só McKinley ficou de fora, pela ação de Ted Cruz.

O senador usou um mecanismo parlamentar chamado “hold” (segurar), para adiar a votação de McKinley.

Como é preciso unanimidade para prosseguir a votação, um único senador é suficiente para segurá-la.

MOTIVAÇÃO

Fontes que acompanham o Congresso americano acreditam que o veto não é contra o Brasil ou McKinley, mas uma manobra já utilizada por Cruz no passado, para punir o governo Obama ou obter algum tipo de concessão.

No ano passado, o senador “segurou” por sete meses a aprovação dos embaixadores nomeados por Obama para Suécia e Noruega em protesto contra o acordo nuclear assinado pelos EUA e outras potências mundiais com o Irã.

Cruz suspendeu o veto depois que o Senado aprovou uma lei proposta por ele para batizar uma praça em frente à embaixada da China em Washington com o nome do ativista de direitos humanos “Liu Xiaobo”, numa provocação ao governo chinês.

Premiado com o Nobel da Paz em 2010, Liu está preso na China, condenado a onze anos por subversão.

Recém-saído da campanha presidencial, na qual foi o maior adversário do virtual candidato republicano, Donald Trump, Ted Cruz entrou direto em outra corrida atrás de votos, pela reeleição como senador pelo Texas. Linha-dura, ultraconservador e de língua afiada, o senador colecionou inúmeros desafetos no Congresso. Incluindo líderes de seu Partido Republicano, como o ex-presidente da Câmara, John Boehner, que chamou Cruz de “lúcifer”.

Na mesma sessão em que Cruz travou a aprovação do novo embaixador para o Brasil, o Senado aprovou os nomeados para Ucrânia, Grécia, Lituânia, Iraque, Kuwait e Chile. Mesmo que não seja um gesto diretamente ligado ao Brasil, fontes dizem que pode ter a ver com a política de Obama para a América Latina, especificamente o reatamento da relação com Cuba.

Filho de pai cubano, Cruz é um crítico feroz da aproximação, assim como a maioria no seu partido.

A oposição à retomada dos laços com Cuba já travou uma nomeação de Obama recentemente. Indicada como embaixadora dos EUA no México, Roberta Jacobson esperou cinco meses até o Senado ratificá-la, em abril. O bloqueio foi de outro ex-concorrente republicano na corrida à Casa Branca, Marco Rubio.

Com o veto de Cruz, a aprovação de McKinley deve ficar para setembro, devido ao recesso no Congresso, o que deve atrasar a previsão original para que ele assumisse o posto. Diplomata de carreira, McKinley servia até agora no Afeganistão e tem longa ligação com a América do Sul. Nascido na Venezuela, passou parte da adolescência no Brasil e fala português.

Por Folhapress

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