Dia a dia

Novas polêmicas envolvem a ‘pílula do câncer’

Produto ainda não teve eficácia comprovada por testes, e as primeiras análises feitas pelo MCTO não foram satisfatórias – foto: divulgação

Produto ainda não teve eficácia comprovada por testes, e as primeiras análises feitas pelo MCTO não foram satisfatórias – foto: divulgação

Conhecida como “pílula do câncer”, a fosfoetanolamina tem sido a esperança de portadores da doença em todo o país. Porém, a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não liberou a comercialização do produto. No Amazonas, de cinco pacientes que obtiveram na Justiça o direito de tratar a doença com o remédio, apenas uma teve acesso ao medicamento.

A polêmica sobre o uso da substância vem aumentando nas últimas semanas com a divulgação de uma análise feita pelo Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI) para avaliar a segurança e eficácia da fosfoetanolamina, que indicou que a molécula não age contra o câncer. Os cinco primeiros relatórios da pesquisa apontam que a substância possui composição irregular, com um máximo de 32,2% de fosfoetanolamina. Entre os vários sais apresentados no medicamento, apenas a monoetanolamina pode destruir as células cancerosas ou evitar a sua proliferação, segundo o MCTI. Mas, mesmo assim, sua eficácia é menor do que os tratamentos comuns, pois ingerida em grande es cala pode se tornar tóxica segundo estudos anteriores.

Entretanto, em entrevistas recentes, o ministro da Ciência e Tecnologhia, Celso Pansera, declarou que a fosfoetanolamina não é tóxica e deve ser legalizada como suplemento alimentar até que os testes clínicos comprovem sua real eficácia contra o câncer. A sugestão será encaminhada nos próximos dias para avaliação dos parlamentares e da Anvisa.

Beneficiada com o medicamento há três meses, a amazonense Karola Caldas foi diagnosticada com câncer de colo retal, que abrange tumores no intestino grosso (o cólon) e no reto, em agosto do ano passado. Ela fez tratamento de quimioterapia convencional, porém, assim que teve conhecimento da fosfoetanolamina, entrou com uma ação na Justiça de São Paulo e teve acesso ao medicamento. “Não tenho dúvidas sobre a eficácia. Tive uma melhora instantânea, logo nos três primeiros dias de uso. Antes de ingerir a fosfo, estava há um mês acamada, sem conseguir me alimentar, perdendo peso, com sangramento e secreções diárias, além de muita cólica abdominal e dores terríveis. Hoje, consigo desenvolver minhas atividades do dia, normalmente, não tenho sentido dores e me sinto mais disposta. Percebi que aumentei o peso e melhorei a autoestima, por saber que posso ser curada”, assegura a paciente.

Karola descobriu o câncer já em estágio avançado. Entre outubro e novembro de 2015 ela iniciou o processo de quimioterapia e realizou três sessões, apenas. “Assim que consegui a fosfoetanolamina, interrompi o tratamento de quimioterapia. Devido à grande procura pelo medicamento, tenho recebido o remédio em pouca quantidade. O recomendável é tomar três capsulas de fosfo por dia, mas o que eu recebo só dar para tomar dois comprimidos. Estou muito feliz por ter conseguido, e quero muito que outros pacientes também tenham acesso”, informa.

Em Manaus, outras duas pessoas recorreram à Justiça para obter o direito de fazer o tratamento com o remédio, mas morreram antes da decisão judicial. Elas integravam o grupo Movimento Fosfoetanolamina na Amazônia, coordenado pelo deputado estadual Sinésio Campos (PT). O grupo recolheu 2 mil assinaturas em uma petição pública para a Anvisa aprovar a fosfo. “É uma esperança para milhões de pacientes com câncer, que chegam a morrer mesmo fazendo químio ou radioterapia”, avalia Campos. “Diferente de tratamentos convencionais que atacam células benignas e cancerígenas, a fosfoetanolamina age somente sobre células malignas. É um tratamento direcionado às células ruins. Uma capsula do remédio custa só dez centavos. Eu perdi meu pai para o câncer e não desejo essa dor a ninguém”, comenta.

A assistente social Priscila Marinho, que acompanha o tratamento de câncer da avó há 2 anos, lamenta a dificuldade de acesso ao remédio. “Estamos com a liminar aprovada, mas o processo está parado no Tribunal de Justiça. Minha avó está com um câncer no pulmão esquerdo. Essa é a segunda vez que ela é acometida por um tumor maligno, pois já teve também no pulmão direito. Receio pela demora da liberação. Tenho medo do remédio chegar em nossas mãos quando for tarde demais”, declara.

Por Bruna Amaral

1 Comment

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  1. jefferson

    2 de abril de 2016 at 16:53

    A pouca vergonha continua. Não estão nem aí com sofrimento das pessoas. A medicina até hoje não resolveu o problema do câncer. ANVISA e os oncologistas continuam sendo muito eloquentes em suas intervenções, para que não se libere, mesmo sabendo tratar-se de substância sem TOXICIDADE, segundo os testes do próprio MCTI. O Governo não vai pôr um tostão na fabricação. Simplesmente VETAR, por VETAR? Com medo do quê? Pois se bem não fará, mal também não. Seria medo de que funcione?

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