Política

Nova maneira de fazer campanha eleitoral deve surgir após proibição de financiamento privado

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) declarar inconstitucional norma que permitia empresas doarem dinheiro para campanhas eleitorais e a partidos políticos e a presidente Dilma Rousseff (PT) vetar o mesmo item que trata do assunto na Lei da Reforma Política, um novo cenário para as futuras campanhas eleitorais começa a se desenhar no horizonte. A partir de agora, somente pessoas físicas poderão contribuir financeiramente com os partidos, o que pode (ou não) nivelar a disputa.

De acordo com o secretário-geral do Pros, Radyr Júnior, a qualidade das campanhas tende a cair com o fim das doações de pessoas jurídicas. As siglas terão de buscar novas formas de tentar eleger seus candidatos.

“Não reduz só as doações, reduz também o tempo de campanha. Você vai gastar menos, fazer campanha por menos tempo, vai ter menos material, menos contratação de pessoas. Mas acreditamos que vai ter mais no corpo a corpo. Isso força, de certa forma, com que o candidato participe mais da campanha política”, disse.

Radyr, contudo, acredita que a partir de agora as siglas terão de seguir à risca uma programação até às eleições. Um único fato lamentado por ele é a geração de empregos durante o período de campanha, que também serão reduzidos de maneira proporcional.

“Vai gerar um impacto, de certa forma, negativo nesse sentido. Realmente menos empregos serão gerados, mas são empregos temporários. Acho que as campanhas movimentam mais dinheiro que as festas de final de ano, gera muitos empregos diretos. Então, acredito que vai diminuir, sim, os ganhos para quem é cabo eleitoral e daquelas pessoas que estão acostumadas a fazer campanha na rua”, lamentou.

Devidamente registrado e se preparando para disputar suas primeiras eleições, a Rede Sustentabilidade poderá colocar em prática tudo aquilo que se prometeu antes da criação da sigla. Segundo o porta-voz da legenda no Amazonas, Tácius Fernandes, a proibição de doação financeira por parte de empresas deixa a disputa eleitoral mais igual.

“A gente acredita que muitos podem contribuir com pouco, e não poucos com muito. Um dos pontos que defendemos é a questão do financiamento público, a parte do Estado igualitária para todos os partidos, porque não é normal que as empresas fiquem pagando campanhas. Quando isso acaba o financiamento fica igualitário para todo mundo. Tem empresas que bancam todas as campanhas. Você acredita que um vai ganhar e vai se dar bem. Isso é ruim para política, ela não pode ser feita com empresários por trás disso”, defende Fernandes.

Para ele, o cidadão pode ser o responsável por uma candidatura se ele achar que ela é boa. Segundo Tácius, a política não pode mais ficar a cargo das grandes empresas, e os candidatos acabam ficando refém delas, uma vez que perdem autonomia e passam a defender a empresa, e não projetos voltados para a sociedade.

“Hoje, o grande negócio é fazer campanha. A gente espera que isso termine. Se um cidadão normal quiser ser candidato é ruim. Os nossos deputados federais, se for observar a prestação de contas deles, é absurdo. Com essa nova lei, você coloca todo mundo em pé de igualdade. Passa a ser uma briga de projetos e não de quem tem mais grana”, defendeu Fernandes.

Por André Tobias

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