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No recesso, deputados do AM usam mais de R$ 300 mil do ‘cotão’

Deputados argumentam que, mesmo em recesso, as atividades legislativas continuam, com visitas às bases e prestação de contas do mandato - foto: divulgação/Aleam

Deputados argumentam que, mesmo em recesso, as atividades legislativas continuam, com visitas às bases e prestação de contas do mandato – foto: divulgação/Aleam

Os deputados estaduais gastaram em janeiro, mês em que estavam de recesso parlamentar, o total de R$ 388,2 mil da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), conforme dados divulgados no portal da transparência no site da instituição. A maioria dos gastos se concentra em combustíveis (R$ 106,4 mil); consultoria jurídica (R$ 43,5 mil); passagens aéreas (R$ 14,8 mil) e publicidade (R$ 88,4 mil).

Os valores investidos em publicidade vêm por meio de pagamentos direcionados para websites, informativos da atividade parlamentar, clippings e consultoria de comunicação. Os parlamentares que mais gastaram foram Bi Garcia (PSDB), Platiny Soares (PV), Adjuto Afonso (PP), Bosco Saraiva (PSDB) e Belarmino Lins (PMDB). Procurado pela reportagem, Bi Garcia – campeão dos gastos – não quis se pronunciar sobre o assunto.

Já Platiny, justificando o uso do “cotão”, disse que o recesso parlamentar foi apenas das sessões plenárias e que as atividades parlamentares e os exercícios políticos continuaram durante todo o período de final de ano.

Ele acrescentou que os gastos foram referentes à compra de material de expediente para o ano de 2016, tanto do gabinete quanto da comissão e também para confecção de informativo para distribuição no interior sobre as atividades parlamentares, referentes ao ano anterior. Quanto à aquisição de combustíveis, ele justificou que foi utilizado em seu veículo, no da comissão que preside na Assembleia Legislativa e nas excursões realizadas em comitiva de parlamentares à BR-319 (Manaus-Porto Velho).

Na terceira posição de gastos, Adjuto Afonso (PP) explicou que, mesmo em recesso em janeiro, os parlamentares continuam com suas atividades, só que externas, com visitas às bases no interior, por exemplo.

“Visitei municípios da Calha do Purus, meu local de origem, além de outros municípios mais próximos da capital. Essa verba está à disposição dos deputados para cumprimento do exercício do mandato, e, geralmente nesse período, são aplicadas para essas ações”, defendeu Adjuto.

Bosco Saraiva argumentou que seu gabinete funcionou normalmente neste período de recesso e que pôde atender às pessoas com mais atenção, além de fiscalizar obras no interior.

‘Austeros’

Na outra ponta dos gastos, o deputado Francisco Souza (PSC) foi um dos que menos usou a Ceap neste período, ficando com um saldo positivo de R$ 25,6 mil, seguido de Sinésio Campos (PT), que usou apenas R$ 3,5 mil do “cotão”.

Sinésio afirmou que o mês de janeiro foi um momento para concentrar estratégias para o ano de 2016, focando seus trabalhos na capital e região metropolitana. “A redução de custo ocasionou por que nós trabalhamos com planejamento e, em tempo de crise, é importante pensar no uso racional dos nossos recursos”, disse Sinésio. O deputado disputa internamente em seu partido a escolha para ser o candidato do PT a prefeito de Manaus.

O uso exagerado do “cotão” em pleno recesso parlamentar não foi exclusivo somente neste ano. No mesmo período de 2015, os 24 deputados estaduais gastaram a ordem de R$ 450 mil da Ceap.

Por Henderson Martins

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