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No México, papa lamenta exclusão social e exploração de indígenas

Francisco celebrou a missa nas três principais línguas nativas da região - foto: reprodução

Francisco celebrou a missa nas três principais línguas nativas da região – foto: reprodução

O papa Francisco denunciou nesta segunda-feira (15) a exploração e a exclusão social dos indígenas do México durante séculos, afirmando que o mundo, em vez disso, deveria ter aprendido com a cultura indígena e seu profundo respeito pela mãe natureza.

“Muitas vezes, de modo sistemático e estrutural, seus povos (indígenas) não foram compreendidos e foram excluídos da sociedade. Alguns consideraram inferiores seus valores, sua cultura e suas tradições”, disse o pontífice em San Cristóbal de las Casas.

“Que tristeza! Que bem nos traria fazer um exame de consciência e aprender a dizer: Perdão!”, afirmou.

As declarações foram feitas pelo pontífice durante uma visita bastante simbólica ao Estado de Chiapas, no sul montanhoso do México, centro da cultura indígena.

Francisco celebrou a missa nas três principais línguas nativas da região graças a um novo decreto do Vaticano que autoriza seu uso, numa tentativa de estancar uma onda de conversões protestantes.

Em sua homilia, o primeiro papa latino-americano da história tocou em duas de suas principais preocupações: a apreciação da cultura indígena das Américas e a necessidade de cuidar do ambiente.

“O desafio ambiental que vivemos, e suas raízes humanas, nos impactam a todos e nos interpelam. Não podemos mais manter o silêncio perante uma das maiores crises ambientais na história mundial”, disse, acrescentando: “Nesse sentido, vocês têm muito a nos ensinar”.

Assolado pela pobreza e pela insegurança crescente, o Estado de Chiapas foi o cenário do levante zapatista de rebeldes maias nos anos 1990, e atualmente é a linha de frente da repressão governamental à imigração ilegal aos EUA a partir da América Central.

Quando os zapatistas irromperam em cena, mais de dois terços da população de Chiapas era de católicos.

Desde então, a expansão do cristianismo evangélico nas cidades indígenas pobres reduziu essa cifra para cerca de 60%, tornando-a a região menos católica do país.

Por Folhapress

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