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No Dia Mundial do Rock, artistas amazonenses revelam suas visões a respeito do gênero

Davi Nunes  considera o rock  um gênero popular com apelo social - foto: Ione Moreno

Davi Nunes
considera o rock
um gênero popular com apelo social – foto: Ione Moreno

O rock and roll embala o mundo desde a década de 1940, mas foi só nos anos 1980 que um dia foi especialmente dedicado a celebrar esse gênero musical. O Dia Mundial do Rock é comemorado desde a realização do festival beneficente “Live Aid”, realizado no dia 13 de julho de 1985, na Filadélfia e em Londres, para arrecadar fundos e combater a fome na África.

Há quem prefira outras datas, já que esse festival contou com shows também de artistas de outros gêneros musicais, mas em todo o mundo a data de hoje termina sendo a mais lembrada para comemorar o rock.

Três nomes ligados à música no Estado – os maestros Davi Nunes e Marcelo de Jesus e o contrabaixista Ediel Castro – apresentam suas visões a respeito do rock como um reflexo social e artístico. Davi Nunes, regente da Orquestra de Violões do Amazonas, lembra que o rock surgiu como uma forma de revolução musical, que refletia a situação social de um determinado momento. “Isso fez com que o rock se tornasse mais popular. E, embora rebatido por pessoas mais ortodoxas, veio para ficar”.

O maestro considera o rock and roll um gênero popular com apelo social. “Desde que surgiu você percebe isso. E, no Brasil, também veio com essa visão. O Ultraje a Rigor, por exemplo, é um grupo que tem músicas sobre política e a situação social. E a Legião Urbana, com tantas canções reflexivas de manifestações a respeito do que acontecia no país”.

Entre as bandas internacionais do gênero que Davi Nunes admira, ele cita a norte-americana Guns N’Roses. “Eu gostava de ouvir os solos de guitarra, que não eram cheios de notas musicais, mas eram melódicos, com improvisos bonitos”, diz, citando ainda Queen e Os Paralamas do Sucesso como grupos que considera “interessantes”.

Quando o assunto são as bandas do gênero da atualidade, o maestro Davi Nunes considera seus trabalhos “bonitos e interessantes”, mas ao mesmo tempo reserva algumas críticas. “Os grupos de hoje buscam inovar, mas não investem em qualidade. Acredito que a harmonia e a melodia do rock de antes tinham mais qualidade”.

 

Ouvinte

O maestro Marcelo de Jesus, da Orquestra de Câmara do Amazonas, conta que sua relação com o rock and roll é de ouvinte. “Gosto do rock clássico dos anos 1960 e 1970. É o que eu mais ouvi durante a minha vida”. Ele diz que, atualmente, se vir a gostar de algum artista do gênero, não é com o mesmo entusiasmo que admira bandas como Queen, Led Zeppelin, AC/DC, Deep Purple e Iron Maiden – as suas favoritas. “Eu ouço, mas não chego a comprar o CD”, observa, lembrando que, hoje, a música alternativa chama mais a sua atenção do que o rock.

“Para mim, o rock perdeu na questão da qualidade artística por causa do esgotamento da fórmula, musicalmente, e se tornou um produto de massa, em que se ganha dinheiro e se perde artisticamente”, analisa.

O regente acredita que certas características do rock, como o caráter transgressor, se perderam e foram absorvidas por astros da música pop. “Acho que, em relação a movimento, o único que observo que cresce muito é o pop. Vejo o pop mais à frente de buscar se renovar, pela sua própria essência de ser para consumo rápido. E o rock antigamente não era assim. Existia algo mais profundo e, quando falo isso, englobo o conteúdo de letra e música”.

Marcelo de Jesus estende essa relação que estabelece com o rock internacional inclusive ao rock brasileiro, e comenta que o que foi produzido na década de 1980 teve uma importância – mais para o próprio país do que para o exterior. “O Brasil está muito legal em relação a música alternativa, mas de rock autoral não consigo listar nenhum artista. Estamos num período de muitas informações e escassez de qualidade, desde a MPB até a música clássica contemporânea. É um novo tempo que não possui ainda uma ‘cara’”.

Por Luiz Otávio Martins

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