Dia a dia

No dia mundial do Câncer de ovário, especialistas alertam sobre a doença que é silenciosa e grave

Os sintomas são frequentemente confundidos com outras doenças, principalmente males gastrointestinais - foto: divulgação

Os sintomas são frequentemente confundidos com outras doenças, principalmente males gastrointestinais – foto: divulgação

A data de hoje, 8 de maio, marca o Dia Mundial do Câncer de Ovário, considerado pelos especialistas como o mais grave dos cânceres ginecológicos. Apesar da sua gravidade, pouco se discute sobre esse tipo de tumor. Sua incidência é menos frequente que outros tipos da doença, com, aproximadamente, 6 mil novos casos estimados para 2016 no Brasil, conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca).  

No entanto, o fato de ser de difícil diagnóstico o torna com menor chance de cura. Ao contrário do câncer de colo de útero, ele não é detectado por meio do exame de Papanicolau. Não existe hoje um teste simples que possa diagnosticar essa neoplasia.

Os sintomas são frequentemente confundidos com outras doenças, principalmente males gastrointestinais. “Tive dificuldades em conseguir o diagnóstico pois tive um derrame pleural, algo que confunde até especialistas”, explica a corretora de seguros Enilda Batista, paciente da Fundação de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon) e portadora da doença. Para fazer a diferenciação, é preciso avaliar se esses sintomas ocorrem por um período superior a três semanas.

Nesse caso, deve-se procurar um médico o quanto antes. Os principais sintomas são aumento do volume abdominal (inchaço contínuo), dificuldade de comer, dor abdominal ou pélvica e a necessidade urgente e frequente de urinar. Outros sintomas comuns incluem a mudança dos hábitos intestinais, sangramento vaginal anormal, cansaço e flutuação inesperada de peso, principalmente ao redor do abdômen. A doença tende a aparecer com maior frequência em mulheres com antecedentes familiares.

Após procurar um médico, o primeiro passo para o tratamento, caso o diagnóstico seja positivo, é manter a calma. É a sugestão de Enilda Batista, que vem enfrentando com êxito o câncer de ovário. “Primeiro aceitar o diagnóstico e seguir o tratamento como os medicos indicarem. Além disso, é preciso ter muita fé que Deus está conosco. E, claro, se alimentar bem. Pois o corpo bem alimentado segura qualquer tratamento”. Outro fator preponderante é a presença da família. “A minha familia abraçou a causa e resolveram tudo por mim. Eu só ia fazer os exames. Alguns fiz pelo SUS e outros pela rede particular”, afirma.

Causas

A causa da maioria dos casos de câncer de ovário ainda é desconhecida. O que se sabe é que alguns fatores de risco tornam a mulher mais propensa a desenvolver câncer epitelial de ovário. Mas ainda não se conhecem os fatores de risco para câncer de células germinativas e tumores estromais dos ovários. Existem muitas teorias sobre as causas do câncer de ovário. Algumas dependem da forma como se avalia um  fator de risco.

Entretanto, existem alguns progressos na compreensão de como certas mutações no DNA pod
em fazer com que células normais se tornem cancerígenas. O DNA é um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas de todas as células. Nós normalmente nos parecemos com nossos pais, porque eles são a fonte do nosso DNA. No entanto, o DNA nos afeta muito mais do que isso. Alguns genes têm instruções para controlar o crescimento e a divisão das células. Os genes que promovem a divisão celular são chamados oncogenes. Os genes que retardam a divisão celular ou levam as células a morte no momento certo são denominados genes supressores de tumor. Os cânceres podem ser causados por alterações no DNA que se transformam em oncogenes ou desativam os genes supressores de tumor.

Conscientização

A falta de conhecimento sobre essa doença e seus sintomas levaram à criação do Dia Mundial do Câncer de Ovário, que proporciona um momento único para discutir e conscientizar todas as mulheres sobre os sinais e sintomas desta doença. Criado há 3 anos por várias ONGs internacionais, a data estimula a troca de informações que permitam às mulheres conhecerem o perigo desta doença silenciosa. Dados estatísticos apontam que 45% das pacientes com a doença sobrevivem mais do que 5 anos. Para as pacientes com câncer de mama, esse índice
chega a 89%.

Para ajudar a disseminar esse conteúdo, o Instituto Oncoguia lançou uma campanha em que mulheres que tiveram a doença dividem seu conhecimento sobre o câncer de ovário por meio de depoimentos que começam com a frase “agora eu sei”, que é também o título da ação. No site da campanha global, é possível escrever uma contribuição à causa. “Pelo amor que temos pelas grandes mulheres da nossa vida, principalmente agora que estamos tão perto do Dia das Mães, é fundamental darmos esse alerta sobre o câncer de ovário. O conhecimento é nossa melhor arma e, sim, a informação pode nos ajudar a salvar vidas”, diz Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia.

Oncoguia

O Instituto Oncoguia é uma associação civil sem fins lucrativos, com título de Oscip, fundada em novembro de 2009, que tem como missão ajudar o paciente com câncer a viver melhor por meio de ações de educação, conscientização, apoio e defesa dos direitos dos pacientes.

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