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No Dia da Mulher, Islândia institui exigência de remuneração igualitária

A legislação será votada pelo Parlamento durante este mês – Divulgação

O governo da Islândia anunciou nesta quarta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, a exigência de que as empresas no país provem remunerar seus funcionários de maneira igual, a despeito de gênero, etnia e nacionalidade.

A legislação será votada pelo Parlamento durante este mês e pode entrar em vigor nos próximos anos. A medida, que vale para empresas com mais de 25 empregados, integra a meta estabelecida por essa ilha europeia de erradicar a desigualdade de gênero até 2022.

O ministro de Assuntos Sociais e Igualdade, Thorsteinn Víglundsson, afirmou que decisões anteriores do governo -como introduzir uma cota de 40% para conselhos de grandes empresas- não foram suficientes para os avanços esperados. “Está na hora de fazermos algo radical sobre essa questão.”

A Islândia lidera há oito anos o índice de igualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial e foi eleita pela revista “Economist” como o melhor lugar do mundo para as mulheres trabalharem.

O Brasil chegou em 79º lugar no ranking de 2016 do Fórum Econômico Mundial.

“Queremos mostrar para o mundo que erradicar a discrepância de gênero nos pagamentos é uma meta atingível e esperamos que outras nações sigam o exemplo.”

Greve geral

A Islândia tem uma diminuta população de 320 mil pessoas e um histórico de grandes gestos em prol dos direitos iguais às mulheres.

Em 1975, 90% das mulheres entraram em greve profissional e doméstica e um quinto delas foi às ruas.
Apesar dos avanços, ainda há disparidade nos pagamentos, e as mulheres islandesas voltaram às notícias em outubro passado ao sair mais cedo do trabalho.

Elas protestavam contra a diferença de quase 30% no pagamento de homens e mulheres, segundo algumas estimativas -por isso, haviam trabalhado apenas 30% de sua jornada, cortando mais de duas horas do expediente.

Björk

A cantora Björk, um dos símbolos da cultura islandesa, é uma frequente crítica ao tratamento dado ás mulheres no mercado cultural.

Ao lançar seu álbum mais recente, “Vulnicura”, ela inquietou-se com as menções da imprensa à contribuição do artista colombiano Arca.

Ela afirmou à revista “Pitchfork” que se incomodava com o crédito dele como produtor do álbum, em vez de coprodutor. A situação não seria igual, segundo Björk, caso se tratasse do disco de um artista homem.

“Quero apoiar as jovens garotas”, disse. “Vocês não estão apenas imaginando coisas. É duro. Tudo o que um cara diz uma vez, vocês precisam dizer cinco vezes.”

Diogo Bercito

Folhapress

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