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No Amazonas, 20% dos indígenas desistem de estudar

O antropólogo destacou que há quase 30 mil alunos indígenas na educação básica. Por ano, no ensino médio, apenas 500 alunos conseguem se formar - foto: Marcio Melo

O antropólogo destacou que há quase 30 mil alunos indígenas na educação básica. Por ano, no ensino médio, apenas 500 alunos conseguem se formar – foto: Marcio Melo

Sem escolas, livros didáticos, material escolar e transporte, 20% dos estudantes indígenas do Amazonas desistem de concluir os ensinos fundamental e médio na rede pública, por ano, informou o presidente do Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (Foreeia), Gersem Baniwa, durante a abertura da 1ª Marcha pela Educação Indígena no Amazonas, cuja abertura ocorreu ontem, no parque municipal do Mindu, no bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul.  

“A nossa maior dificuldade é a falta de infraestrutura. Não temos prédios que sirvam de escola ou com condições para abrigar os alunos. Ao menos dois terços das escolas indígenas não funcionam em prédios, os estudantes têm aula no chão, debaixo de árvores ou qualquer outro lugar improvisado”, disse Baniwa, que é doutor em antropologia e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). “No Amazonas, temos mil escolas indígenas, mas nem todas com estrutura. O Estado tem um cenário considerado um dos piores do Brasil em termos de educação indígena”, salientou.

O antropólogo destacou que há quase 30 mil alunos indígenas na educação básica. Por ano, no ensino médio, apenas 500 alunos conseguem se formar. “As dificuldades de transporte e logística não permitem que os alunos indígenas tenham condições de chegar até o fim, esse é nosso principal problema. O material escolar não chega, porque o Estado é imenso e a logística extremamente difícil. Para levar esse material às aldeias é preciso fretar avião. E se não tem dinheiro?”, indagou.

Essa situação, afirma Baniwa, se deve à indefinição quanto à responsabilidade da gestão da educação indígena. “O governo federal é responsável pelo financiamento e pelas diretrizes pedagógicas. O Estado deveria executar essa política no que diz respeito à construção de escolas, pagar professor, formar professor, comprar material didático. E o município só entra se for convidado. As leis são claras, mas isso não acontece. Curiosamente, a maioria das escolas indígenas é municipal, exatamente quem não tem responsabilidade legal para prestar o serviço. Por isso, temos que conciliar essas responsabilidades”,destacou.

Responsabilidade

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informou que não atua na gestão da educação indígena, mas apenas na formação de professores, mantendo um Núcleo de Formação Indígena com esse fim. A responsabilidade de implementar currículos e garantir escolas é dos municípios.

Caminhada

Nesta quinta-feira, as lideranças indígenas farão um manifesto, por meio de uma marcha, a partir das 8h30, para chamar atenção das autoridades. “Vamos caminhar por todas as instituições que têm obrigação de trabalhar com os indígenas. E, para cada instituição, vamos levar uma proposta concreta. Por exemplo, vamos à Seduc pedir que ela atue junto conosco. Vamos visitar as universidades porque, por incrível que pareça, a formação dos professores indígenas foi uma grande conquista nossa”, declarou Baniwa.

O antropólogo lembrou que, hoje, praticamente 100% dos professores que trabalham nas escolas indígenas são das próprias aldeias.

A marcha começará no Centro Cultural Povos da Amazônia, no bairro Japiim, Zona Centro-Sul. De lá, os indígenas irão à Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) e, depois, para a Seduc, Ufam, Semed e, por último, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).

Por Michelle Freitas

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